Pela reintegração de Orlando Chirino em defesa da revolução venezuelana.

 

A demissão da PDVSA de Orlando Chirino em 27 de dezembro e a suspensão de seu salário desde o dia 30 de novembro 2007 não tem outra causa a não ser suas divergências políticas e sindicais. E se traduz em um fato muito grave.

Já seria um fato grave se qualquer trabalhador fosse demitido pela sua militância e suas opiniões políticas e sindicais. Mas este caso é ainda pior porque Chirino é o dirigente mais representativo da corrente que há anos vêm construindo sindicatos classistas e que construiu a UNT em uma duríssima batalha político sindical contra a corrupta burocracia sindical de AD - Ação Democrática e Copei, velhos partidos pró-imperialistas, os golpistas e contra a paralisação/sabotagem patronal de 2002-2003. Deixar passar esta demissão seria uma derrota para o processo revolucionário venezuelano.

Chirino e sua trajetória em defesa da revolução venezuelana.

 Para aqueles que não conhecem Chirino pode aparecer exagerada esta afirmação. Mas se você pergunta a qualquer lutador sindical, a qualquer que tenha lutado contra as patronais e organizado sindicatos classistas nos últimos anos na Venezuela, ou nas últimas décadas nos estados de Aragua e Carabobo, imediatamente poderão lhe informar quem é Chirino e compreendera de que estamos falando. Chirino participou pessoalmente em centenas de conflitos orientando a luta dos trabalhadores. Colaborou decisivamente na formação de centenas de ativistas sindicais classistas e na formação de sindicatos de empresa, primeiro em Carabobo e Maracay, e nos últimos anos na maioria dos estados da Venezuela.

Também pode perguntar nos bairros populares da antiga cidade de Coro, onde ele nasceu Chirino, quinto de quinze irmãos de uma família trabalhadora. Ainda criança coletava café na serra em uma pequena fazenda de sua família. Com 50 anos Chirino leva quase 50 trabalhando nos mais diversos ofícios.

Aos 11 anos distribuía o jornal La Manhana na zona petroleira de Punto Fijo.

Sua família é originária da serra de Coro, na mesma região de Curimagua onde em 1795 se levantáramos escravos com José Leonardo Chirino na frente que, inspirado na revolução dos escravos haitianos, proclamou a abolição da escravidão. Pese ao movimento ter sido esmagado e seus dirigentes assassinados, seu exemplo serviu de inspiração para as lutas libertadoras futuras.

Passados mais de 200 anos não se sabe se a família de Orlando descende ou não da de José Leonardo Chirino. Em qualquer caso, é um ilustre antecessor da luta revolucionária dos trabalhadores.

Aos 17 anos Orlando Chirino já estava em Caracas trabalhando na construção civil. E pouco tempo depois entrou a trabalhar na importante fábrica têxtil Celanese, onde se fez dirigente do sindicato da empresa que pouco a pouco se transformou em um centro do ativismo classista da região. A partir dali começou a ser conhecido pelos trabalhadores.

São quase 40 anos que Chirino vem lutando junto à sua classe pelos seus direitos, por formar sindicatos democráticos e combativos.

Orlando Chirino foi também um decidido impulsionador do processo revolucionário que comove a Venezuela. Em 1998 apoiou a candidatura que levou à presidência a Hugo Chávez.

Quando aconteceu o golpe pró-ianque de 2002, foi um dos dirigentes que saiu na frente dos trabalhadores para derrocar os golpistas e repor Chávez no governo. E quando os golpistas, utilizando os gerentes e a hierarquia da empresa sabotou PDVSA chegando a paralisar a produção, Chirino foi um dos principais organizadores da recuperação por parte dos trabalhadores das instalações da empresa e sua volta à produção.

Este grandioso fato da luta operária foi a que deu origem à formação da UNT (União Nacional de Trabalhadores) que se converteu em majoritária com um milhão e meio de filiados, afastando à burocrática CTV. Chirino é um dos seus dirigentes e, sem dúvida, o mais conhecido entre os trabalhadores.

Em 2006 Chirino viajou à OIT em Genebra, representando à nova central operária com viagem paga pela PDVSA para responder à campanha imperialista contra Venezuela que pretendia impor à repudiada CTV como a “verdadeira” central.

Pelo reconhecimento dos trabalhadores e do próprio presidente Chávez ao papel cumprido por Chirino foi contratado na PDVSA com o salário de um trabalhador comum. Ali, frente à traição dos velhos dirigentes sindicais, foi parte da formação do sindicato SINUTRAPETROL sendo parte da sua diretoria.

Para lutar por eleições de base e manter a plena democracia e autonomia sindical formou C-CURA (Corrente Classista Unitária, Revolucionária e Autônoma), uma corrente que se transformou em majoritária dentro da nova Central.

Chirino vem lutando para que sejam cumpridos os direitos dos trabalhadores à contratação coletiva através de seus legítimos representantes.

Como grande parte dos trabalhadores não apoiou a Reforma Constitucional que promoveu Chávez. No entanto, se diferenciou claramente da direita pró-imperialista, deixando bem claro que defende aprofundar o processo revolucionário, a expropriação das multinacionais e dos bancos para construir uma sociedade socialista sem patrões nem burocratas.

Este currículo e o papel atual de dirigente operário classista e incorruptível é o que marca a importância de defender Chirino.  Por isso, também para aqueles que não compartilham algumas de suas posições políticas, programáticas ou sindicais, exigir a reintegração de Chirino ao seu local de trabalho e os direitos trabalhistas e sindicais, é uma importante batalha em defesa do processo revolucionário na Venezuela.

 

 

 

 

 

 

 

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