O Ministro do MDA, Guilherme Cassel, declarou através da imprensa que ações do MST no Abril vermelho "distorcem o debate sobre a reforma agrária", já que o governo seria responsável por "recordes de assentamentos". Na verdade, o governo Lula é recordista de promessas não cumpridas. A última foi feita aos controladores de vôo. Eles aceitaram acordo assinado pelo Ministro Paulo Bernardo, em nome do Presidente, encerraram a greve, e em seguida foram traídos, não tendo nenhuma das reivindicações atendidas. A PF também faz paralizações reclamando de acordos não cumpridos e os servidores públicos sentem na pele essa situação. As ocupações de terra, não imprimem "um padrão artificial de conflitos no campo" como afirmou o Ministro. Elas são produto real da enorme concentração fundiária existente no Brasil, que gera a expulsão dos camponeses pobres de suas terras. E o governo Lula, após 4 anos de mandato, agrava este quadro ao não democratizar a posse da terra. Os números da reforma agrária foram adulterados pelo MDA do Governo Lula, repetindo o que fazia o governo de FHC. Isso já foi demonstrado por estudiosos da área e o próprio MST já divulgou as fraudes nos números. Portanto, o discurso do "recorde de assentamentos" não passa de uma invenção. Reforma significa novos assentamentos e infra-estrutura que possibilite aos assentados cumprir todas as etapas da produção e isso foi o que não fez o MDA do Governo Lula. Os números de novos assentamentos foram pífios. Os poucos existentes foram fruto da luta dos camponeses. Lula segue a lógica neoliberal de fortalecer o agronegócio, por isso as Metas do II PNRA não foram implementadas. Com o projeto do Biodisel somente os usineiros, chamados de heróis por Lula, vão lucrar. Desse modo o governo fortalece o latifúndio monocultor para implementar esse projeto, dificultando ainda mais a reforma agrária. O Ministro afirma que a "pauta do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é "vaga"" e que o método utilizado é violento. Violência é permitir que milhares de famílias sigam acampadas nas margens das estradas e que os jagunços do latifúndio sigam assassinado trabalhadores rurais e suas lideranças. Violência maior é perpetuar a impunidade após 11 anos do assassinato de 19 sem terra no PA. Estivemos no dia 17 de abril com os sem terra e nossa bandeira é clara: Queremos reforma agrária! Ela só se faz, Senhor Ministro, enfrentando o latifúndio, os trangênicos, desapropriando terras, acabando com o crédito fundiário do Banco Mundial, investindo na agricultura familiar. Isso o seu governo já mostrou que é incapaz de fazer, por isso as ocupações são mais legitimas do que nunca.
Abril de 2007.
|