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QUEDA DE BRAÇOS ENTRE O PRESIDENTE E OS SINDICATOS |
Informações Internacionais (diversos meios de imprensa) – 21/11/07 Sarkozy: "Não vamos retroceder” Os sindicatos dos transportes públicos franceses conseguiram seu primeiro objetivo ontem ao unificar sua greve com a dos servidores públicos. No entanto o Presidente Sarkozy reafirmou que não ira recuar porque “a França precisa” que sejam aplicadas as reformas. [...] Os servidores públicos paralisaram ontem para protestar pela perda do seu poder aquisitivo e pelo plano do governo de substituir somente um em cada três funcionários aposentados. A greve, à qual vão se somando setores da população francesa, está fugindo inclusive ao controle dos grandes sindicatos. Enquanto diminuem os ferroviários que a apóiam, um pequeno sindicato que reúne os maquinistas e condutores mantém em colapso o transporte público. Todos os dias, as cúpulas dos sindicatos se reúnem para decidir se continua ou não a greve. Mas antes deles tomarem uma decisão, as bases sindicais reunidas em assembléias mais radicalizadas, votam pela sua continuidade. Aos “líderes” não resta senão aceitar a decisão para evitar confrontos com uma militância que teme massivas privatizações e liberalizações gerais do emprego. ------------------------------------- Milhares de manifestantes nas ruas em queda de braço com o governo Um líder sindical moderado abandona entre vaias a marcha de Paris “Unidade sim, colaboração não”; “Pelo salário, o emprego e o serviço público” estava escrito nas faixas e eram as palavras de ordem que os grupos levaram para desfilar pelas diversas cidades francesas. Os atos mais numerosos foram os de Toulouse, Marseille e Paris, onde participaram, pese a chuva, mais de 50 mil pessoas. Ferroviários, estudantes, professores, polícias e funcionários pedem aumento de salários. “São 10 anos que não conheço um aumento” fala Jean-Luc Agente do Ministério de Fazenda. Para Pauline, professora de instituto há dois anos “os 1.700 euros mensais não bastam para viver e alugar um apartamento em Paris”. O Preço dos imóveis na capital aumentou 100% e os salários apenas 8% no mesmo período de tempo. François Chérèque, líder da reformista CFDT, teve que abandonar a manifestação em paris sob as varias de centenas de trabalhadores que recriminavam que já desde a sexta feira passada, ele defendeu a necessidade de deter o movimento para negociar com as empresas e os representantes do Estado. “Sarkozy-Chérèque estão do mesmo lado” e “Cherèque com os patrões, Chérèque traidor” foram as acusações que se concentraram contra um sindicalista que propôs que a greve durara somente um dia e pretendia negociar. [...] O primeiro ministro François Fillon, responsabilizou do déficit do poder aquisitivo dos franceses à semana de 35 horas. “É verdade que na França existe um problema de poder aquisitivo. São 10 anos que os salários apenas acompanham a inflação. A causa de tudo se deve a um crescimento fraco, a uma taxa de atividade baixa, tudo provocado pelas 35 horas”. Enquanto o presidente Sarkozy negou-se a adjetivar como privilegiados aos que até agora podiam se aposentar com 37,5 anos de trabalho – “não contraponho os franceses uns aos outros, cada setor tem sua história” – o Governo sim tem explorado esse tempo e trabalho mais breve de 450 mil trabalhadores. “Todos devem contribuir com a mesma quantidade de anos. É uma questão de justiça. É inegociável” declarou Xavier Bertrand, o Ministro de Trabalho. “Tal vez... Mas se o governo não tivesse rebaixado 13 bilhões de impostos aos ricos, hoje não estaríamos na rua” conclui um condutor de metrô. Hoje quarta feira deveria começar a negociação nas empresas de transporte público. O presidente Sarkozy confia na melhora da situação para recuperar popularidade – perdeu cinco pontos em um mês e tirar a imagem que o “Estado é um patrão pão duro com seus trabalhadores e generoso com seus dirigentes”, como declarou Jean Claude Mailly, líder de Force Ouvrière. Mas o que decidem ou pensam os dirigent4es não sempre é acompanhado pela base. “Eles se acham patrões, mas não sabemos que somos trabalhadores” afirma Yannick, um manifestante. -------------------------------------- Escolas, postos de correios, jornais, hospitais e aeroportos de toda França foram afetados pela greve. 65% dos professores aderiram à paralisação que fechou creches e escolas, enquanto metade da universidade foi bloqueada pelos estudantes que se opõem a uma mudança no sistema de autonomia. A aviação civil foi afetada em diversos aeroportos por uma greve da Air France, que causou atrasos e também paralisou a France Telecom. Os jornais não chegaram às bancas pela greve de operários gráficos e distribuidores. A greve dos servidores públicos, que coincide com a dos ferroviários e motoristas contribuiu a criar a imagem de um país paralisado pela protesta social. Pese a participação na greve dos ferroviários é menor a 30% seu efeito é maior visto que os grevistas estão concentrados entre os maquinistas. Circularam um em cada dois trens de alta velocidade TGV, um em cada três ou quatro trens do metrô de Paris e 40 % dos ônibus. Uma grande passeata de funcionários públicos, ferroviários e estudantes percorreu as ruas de Paris levando uma faixa que dizia: “Juntos pelos salários, o emprego e os serviços públicos” Outras marchas aconteceram em Grenoble, Rennes, Burdeos, Nantes, Marseille, Toulouse e Lyon. Sétimo dia de caos na França pela onda de greves contra a reforma 21 de Noviembre de 2007 Paris. — Escolas e correios ficaram fechados, os aviões atrasaram, não houve jornais e centenas de milhares de pessoas manifestaram ontem em toda França em uma greve dos servidores públicos e dos trabalhadores do transporte, levando a situação a um ponto álgido. Pararam os controladores aéreos. As greves e paralisações já estão no seu sétimo dia. O presidente Sarkozy rompeu seu silêncio e chamou os sindicatos ao diálogo. “França precisa das reformas trabalhistas para enfrentar os desafios do mundo, por isso não vamos nos render nem recuar”, agregando que as greves devem acabar antes de colocar a economia de joelhos. Calcula-se que um terço dos 5,2 milhões de funcionários participou da greve. Na educação a greve foi apoiada por 65% dos professores. Metade das universidades está bloqueada pelos estudantes contra a reforma da sua autonomia e em geral, contra a política econômica de Sarkozy. As ruas não cedem frente à Sarkozy Andrés Pérez O governo francês parecia ontem uma panela de pressão. Também, as declarações de diferentes membros do governo começar a manifestar discordâncias entre eles. [...] As mobilizações constituíram um êxito considerável que o próprio governo teve que reconhecer. Por boca do ministro da Função Pública Eric Woerth, admitiu que a mobilização fosse “forte”. 70 mil pessoas marcharam em Paris sob um tempo inclemente e foram ouvidos os primeiros “Fora Sarkozy” sem dúvida um pouco precipitados. Foi lembrado também que junto ao congelamento salarial dos servidores foi dado um aumento salarial ao presidente de 140%. As reivindicações dos quase seis milhões de servidores públicos socava de forma global as bases da reforma ultra liberal planejada por Sarkozy para França. Por um lado, o Executivo pretende congelar o salário dos mais de cinco milhões de servidores. Por outro, reduzir os postos de trabalho, suprimindo 23 mil postos mediante a técnica de não substituir um em cada três funcionários aposentados. Os sindicatos acusam o governo de abrir caminho às privatizações de muitos setores mediante esse refluxo do serviço público. Trata-se de um terreno de alto risco político para todos os homens de Sarkozy, que ganharam as eleições gerais na última primavera prometendo mais emprego, maior poder aquisitivo e melhoria nos serviços públicos. Contraditoriamente, enquanto o governo declarava não aceitar nem examinar um aumento dos salários dos servidores públicos, o ministro Woerth afirmava na rádio que os salários são “baixos”. Enquanto esta nova paralisação dos servidores é de 24 horas, a dos ferroviários já entra no oitavo dia, com o apoio dos estudantes e declarações solidárias de diversos setores. Começaram a se somar os secundaristas, uma vez que dez escolas foram ocupadas pelos jovens com diversas exigências.
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