Funcionários da GM fazem greve nos EUA

 

Os funcionários da General Motors nos EUA entraram em greve ontem depois que o United Automobile Workers (UAW, o sindicato dos trabalhadores de montadoras) e a empresa não chegaram a um novo acordo salarial. A GM tem 73 mil funcionários em mais de 80 unidades de produção que pertencem ao sindicato.
Essa é a primeira greve nacional da categoria envolvendo negociação salarial desde 1976, quando houve paralisação na Ford. Em 1998, o UAW paralisou por 53 dias as atividades de duas unidades da GM, porém por outros motivos, causando perda de US$ 2 bilhões.
Segundo o presidente do UAW, Ron Gettelfinger, os trabalhadores querem garantias de que não serão demitidos -o tamanho da força de trabalho da GM nos EUA é hoje 20% do que era no começo da década passada. Além disso, as conversas envolvem assuntos como investimentos em fábricas, salários e criação de empregos.
Ele afirmou que o sindicato não tinha intenção de entrar em greve, mas que a GM não mostrou disposição para realizar um acordo "justo" e que o UAW foi "levado a um precipício". Ele disse ainda estar preocupado com a situação da montadora, que pode perder neste ano a liderança de vendas para a japonesa Toyota.
Em nota, a GM afirmou estar desapontada com a greve, que teve início às 12h de ontem (horário de Brasília). "O acordo envolve questões complexas e difíceis, que afetam a segurança do emprego de nossa força de trabalho nos EUA e a viabilidade da empresa no longo prazo."
A montadora, que está passando por um processo de reestruturação, quer a criação de um fundo independente que assuma a responsabilidade pelos US$ 55 bilhões em obrigações com os planos de saúde de empregados, aposentados da empresa e seus dependentes. Nos últimos dois anos, a empresa teve prejuízo total superior a US$ 12 bilhões.
O UAW tem cerca de US$ 900 milhões em um fundo de greve -que paga US$ 200 por semana aos trabalhadores, desde que eles cumpram turnos fazendo piquetes em frente às fábricas. Isso significa que ela tem condições de pagar os trabalhadores por pelo menos dois meses.
O resultado da negociação com a GM deve influenciar os acordos com Ford e Chrysler.

(Extraído da Folha de São Paulo,25 de setembro de 2007)

 

 

 

 

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