Gigantesca greve dos servidores públicos

Por Miguel Lamas (El Socialista)

 

A França viveu na semana passada (18/10) uma imensa greve com mobilizações dos servidores públicos. Esta luta foi para barrar a tentativa do presidente conservador Nicolas Sarkozy e seu primeiro ministro François Fillon de aumentar a idade para a aposentadoria.  A greve foi maior que o previsto e maior também que aquela de 1995.
“Sarko, até tua mulher não te agüenta mais”. Assim estava escrito em faixas que levavam os manifestantes, mostrando o clima existente de duro confronto e também, o humor francês, tirando sarro do presidente que acabava de se divorciar da esposa Cecília.
Pararam as ferrovias, o metrô, os ônibus, os eletricitários, os correios, setores da educação. Se organizaram grandes manifestações de rua em 60 cidades. De acordo com os dados dos sindicatos, em torno de 300mil pessoas se manifestaram no país; em Paris foram 25 mil. Em muitos locais os trabalhadores votaram pela continuidade da greve, pese aos chamados da burocracia sindical para voltar ao trabalho após a greve de 24 horas de 18/10. Na semana anterior à greve, houve uma marcha de 13 mil trabalhadores contra a reforma do sistema de saúde, visto que pretendem eliminar o tradicional sistema de saúde pública gratuita.
Toda a imprensa e os lutadores fizeram referência com a grande greve de 1995, visto que os níveis de adesão desta vez foram inclusive superiores, chegando a 75%. Naquela data o primeiro ministro Alain Juppé, sob a presidência de Chirac, intentou uma reforma similar, mas a onda de protestos e greves que se espalhou pelo país levou a sua renúncia. Foi esta vitória dos trabalhadores a que impediu que se aplicassem na França reformas neoliberais que o capitalismo impôs na maior parte da Europa e do mundo.
Uma vez que a reforma que propõe o governo afeta um milhão e meio de trabalhadores dos chamados regimes especiais, (os servidores que se aposentam hoje com 37,5 anos de contribuição passariam a ter que contribuir por 40 anos) não se esperava o grande apoio popular que obtiveram os grevistas. A campanha do governo foi que o objetivo da reforma era “acabar com os privilégios” tentando assim dividir a classe trabalhadora. Mas estes advertiram que a ofensiva de Sarkozy não se deteria nos servidores públicos, visto que seu plano é mais global. Ele pretende fazer na França o mesmo que fez a Tatcher na Inglaterra na década de 80, desmontando as conquistas da classe trabalhadora. Isto foi o que provocou esta gigantesca reação operária e popular na França em 18 de Outubro.
Mas também, está existindo no país uma grande quantidade de greves por fábrica e empresa contra os abusos dos patrões, contra as demissões e contra as ameaças patronais de fechar empresas para se mudar para a China ou para outros países com mão de obra mais barata. Paralisaram os trabalhadores de Air France e fizeram uma longa greve os estudantes de medicina contra a tentativa de privatização. Também, fizeram greve os advogados e servidores do judiciário contra a tentativa de “modernizar” a justiça fechando centenas de Tribunais.
A burocracia sindical da CGT (PC) e FO (socialistas) não propôs nenhuma continuidade à luta. A dirigente “socialista” Segolene Royal, longe de propor uma alternativa diferente para impedir este ataque do governo Sarkozy viajou para Argentina para apoiar a eleição da neoliberal Cristina Kirchner.
No entanto os trabalhadores estão cada vez mais conscientes da necessidade de enfrentar até derrotar o governo e a patronal. Não em vão uma das consignas mais utilizadas durante as manifestações foi “Todos juntos contra os patrões e o governo”. As assembléias e as entidades de base exigem novas medidas de luta.
Mais uma vez França é vanguarda de uma grande batalha do movimento operário europeu por defender suas conquistas.

Miguel Lamas: miguellamas@izquierda socialista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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