Nos últimos dias, dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças foram às ruas de Porto Príncipe e outras cidades haitianas, com fúria e desespero, exigindo comida porque estão morrendo de fome.
E foram recebidos à bala pelas tropas da MINUSTAH, a missão enviada pelas Nações Unidas em junho de 2004, com tropas militares enviadas, na sua maior parte, pelos governos da América Latina.
Os alimentos da cesta básica triplicaram de preço desde novembro de 2007, sem que o governo tomasse alguma medida para impedi-lo nem ao menos brindar uma ajuda alimentaria massiva.
As políticas neoliberais impostas pelo imperialismo levaram o país a esta situação dramática, que piorou todos os já graves índices de pobreza anteriores, com a perda de 800 mil empregos no campo.
Vinte anos atrasa o país produzia 95% do arroz que consumia. Hoje deve importar 80% dos Estados Unidos porque a produção agrícola foi destruída pela livre importação. 76% dos haitianos vivem com menos de dois dólares diários e 45% das crianças está subnutrida.. E tudo isto, antes do brutal aumento de preços dos alimentos!
O imperialismo pretende voltar a escravizar os haitianos. Destinou ao Haiti ser provedor de mão de obra barata para as multinacionais têxteis, com trabalhadores ganhando pouquíssimo nas zonas “francas” livres de impostos, sob soberania de fato das multinacionais norte americanas, francesas e canadenses que exportam o que produzem em deixar nada ao Haiti.
O discurso do Presidente René Preval da última 4ta. Feira, prometendo apoio à agricultura, após ter quebrado todos os pequenos agricultores com a sua política econômica, e seu “agradecimento” às tropas da ONU despertou uma enorme indignação. A suposta e teórica solução que promete Preval é de longo prazo, mas as pessoas não tem o que comer AGORA!
O povo do Haiti está gritando nas ruas que se retirem os repressores da ONU, os 7080 “capacetes azuis” da chamada MINUSTAH (1211 do Brasil; 1147 do Uruguai; 5652 da Argentina; 502 do Chile, 180 da Bolívia, 114 da Guatemala) que nos últimos dias assassinaram 5 e feriram dezenas e desde a data da invasão ao país violentaram os direitos humanos com total impunidade.
Em contrapartida, Cuba enviou 400 médicos que cumprem uma importante tarefa de ajuda real ao povo haitiano.
O correspondente de um jornal dominicano reportava: “somente se vem tanques de guerra e caminhões blindados da MINUSTAH patrulhando todas as avenidas da capital. O bairro Cite Soleil está rodeado e totalmente paralisado. Somente os militares estão na rua, blindados e tanques de guerra fortemente armados”.
Oculta por trás dos capacetes azuis da ONU, a intervenção ao Haiti tem a mesma finalidade pró imperialista que a recente invasão de Uribe ao Equador. É uma ameaça militar a outros países latinos americanos.
Neste momento dramático, a UIT-CI reitera a exigência – junto a Batay Ouvriye e outras organizações, de retirada imediata de todas as tropas da ONU, e de justiça e prisão para os militares responsáveis desta situação, junto ao envio de ajuda real e incondicional ao povo haitiano: comida, medicina, médicos, etc.
Exigimos aos governos de Bachelet, Kirchner, Lula, Evo Morales, Álvaro Colom a retirada imediata dos militares de seus países. Os responsabilizamos por cada um dos mortos e feridos causados pela repressão dos soldados que mantêm no Haiti. Denunciamos que o estão fazendo sem ter jamais consultado seus povos e ocultando os verdadeiros fins da missão militar que jamais foi “humanitária”.
Reiteramos nossa solidariedade incondicional com a luta do povo haitiano contra os planos de miséria e pela retirada dos invasores da ONU. Convocamos às organizações operárias, populares, democráticas, antiimperialistas e de esquerda a se pronunciar no mesmo sentido e a defender estas exigências frete a cada governo. Especialmente, cabe ao governo de Hugo Chávez, da Venezuela, Rafael Correa do Equador e Raul Castro de Cuba, encabeçar um movimento no nosso continente que reclame a retirada total das tropas latino americanas e ofereça toda a ajuda necessária ao povo do Haiti para resolver a crise e expulsar os invasores.
Unidade Internacional dos Trabalhadores
14 de abril de 2008.