...de Gabeira, do ministro de Lula e do secretário do governo César Maia (DEM). O Diretório Estadual gaúcho aprovou encaminhar a discussão com os partidos para as eleições de Porto Alegre. Entre eles, o PV.
Diz a resolução proposta pela maioria da direção: “...No caso do RS temos a possibilidade de ter o PV local como aliado em Porto Alegre, já que Edson Pereira, presidente do PV, apoiou Heloísa Helena em 2006 e manifestou que quer apoiar o nome de Luciana [...]. Os companheiros manifestaram que apóiam nossos princípios programáticos [...] de tal forma que devemos nos reunir no próximo período com PCB, PSTU e PV para discutir programa e alianças.”
A expectativa sobre o PV é coerente com a caracterização de sua resolução política sobre os desafios do PSOL: “...o momento atual é extremamente complexo, gerador de um espectro de contradições que sinalizam um quadro de absoluta imprevisibilidade. O futuro é um horizonte aberto de possibilidades e rico em potencialidades para o PSOL.” (Resolução Organizar, lutar e vencer, I Congresso). O PV é exemplo dessa “imprevisibilidade”. Em 2004, aliou-se para a disputa de Porto Alegre com o PP de Maluf. No segundo turno, subiu no palanque da direita tradicional contra Raul Pont do PT. Já em 2007, declara querer apoiar à Luciana.
O horizonte aberto de possibilidades do PV...
...ou o pior cego é o que não quer ver. A trajetória do PV gaúcho não destoa, mas confirma a característica desfalcada de princípios do partido em nível nacional. Nas últimas eleições municipais, o Presidente do PV, Edson Pereira, foi o vice na coligação “a União que faz bem” com o PP. No RS, pode não ser o de Maluf, mas é o de Jair Soares, ex-governador, político da ditadura militar. Ou de Francisco Turra, amigo dos latifundiários, inimigo mortal do MST.
Edson Pereira, ontem ao lado do partido de Turra, que enfrentou dura e reacionariamente a Roberto Robaina no embate ao governo do estado. Hoje, quer estar, justamente, ao lado de Robaina, no palanque de Luciana? Afinal, a “união que fazia bem” junto ao PP, fará bem a quem, hoje, no caso do PSOL? Edson, do PV, foi sub-secretário do Meio Ambiente em 2005 na capital gaúcha, ocupada desde 2004 pelo PPS da turma do ex-governador Antônio Britto, o homem que privatizou o Rio Grande. Foi do PMDB (em 82, é verdade). Resta saber quais são os princípios programáticos que diz apoiar do PSOL. Ou depois dos escândalos que rondam todos os partidos tradicionais quer o prestígio adquirido por nosso jovem partido para alavancar sua legenda eleitoral?
Uma vez mais a resolução do DE/RS
[...] “Somos a única força política que pode se apresentar nesta disputa com uma política nacional de oposição de esquerda ao governo e a todos os partidos do regime. Temos uma ótima localização para disputar prefeituras como a de Belém e Porto Alegre.” D.E. RS, 02/09/2007.
Contradição! Como concretizar tal desafio aliados a um partido cujo chamariz é um ministro do governo Lula? (ver site do PV “Faça como Gilberto Gil filie-se ao PV”) Um partido que apóia o governo de José Serra em SP? Que o principal expoente no Congresso, Gabeira, votou as reformas de Lula? Apoiou as privatizações de FHC, a quebra do monopólio estatal do petróleo? Ou cuja liderança na Câmara é Sarney Filho? O nome dispensa a biografia, em todo o caso: Foi filiado do PDS, presidente do PFL/MA, e passou ao PV, a partir de 2003. E depois de coligar com o partido dos grandes poluidores rurais, com os inimigos do MST, com os adversários da agricultura familiar, como o PV pode falar em ecologia? Nem mesmo na luta ambiental resta, sequer, coerência ao Partido Verde.
O que é isso, companheiros?
O I Congresso do PSOL decidiu realizar uma conferência eleitoral no ano que vem. A CST defendeu que os marcos de classe, programáticos e o arco de alianças já fossem definidos, já que devem ser coerentes com a estratégia do partido. Mas, ficou tudo para a Conferência. Mesmo assim, como no Amapá, onde os companheiros do setor majoritário da direção estão apressados em conversações com partidos da base de sustentação do governo federal (PSB), aqui, já o presidente do PV é convidado para estar ao lado de Luciana e dos dirigentes psolistas nos eventos públicos. Como aconteceu na visita de Heloísa à Viamão, no último dia 14.
Os companheiros do bloco majoritário, em diversos estados, estão tentando empurrar, e sem muita discussão com a base, uma tática que busque tornar o PSOL uma alternativa eleitoral palatável. Para isso estão defendendo uma ampliação da nossa política de alianças para além do bloco de esquerda (PSTU e PCB). Em alguns lugares propõe alianças com o PSB, ou o PPS e o PV. O que justifica essa política? Questionamento de companheiros que fizeram parte da discussão de fundação do partido, quando definíamos que uma das principais razões para considerar o PT morto para o movimento de massas foi ter colocado as eleições como um fim em si próprio, afastado da luta real dos trabalhadores, e buscado o maior número de aliados para poder garantir essa orientação, mesmo que isso significasse cada vez mais concessões programáticas para seus novos aliados.
Com isso, os companheiros não fazem outra coisa que não se afastar da construção de uma alternativa classista, subvertendo a razão fundamental da existência de um partido socialista, que é a de construir uma alternativa de classe para o povo explorado.
Não há outra forma de construção de um partido que seja realmente alternativa para os trabalhadores que não passe pela defesa clara de um programa classista, um programa que, além de colocar a questão da corrupção, parta para a denúncia da democracia dos ricos, que explique que o atual regime não representa os trabalhadores, um programa que se baseie na luta e reivindicações do setor mais consciente dos trabalhadores. Sabemos que esse caminho não é fácil, mas não há atalhos nessa tarefa.
Nas eleições, afirmar o perfil do PSOL, de luta, oposição de esquerda e coerência de classe
O PSOL tem um projeto nacional, de oposição de esquerda a Lula, vinculado às lutas do povo trabalhador. Nossa tática eleitoral não pode moldar-se de acordo com o discurso deste ou daquele partido local. A realidade mostra que os ditos progressistas do momento, nos salões de mármore dos palácios de governo ou legislativos, têm, todos, a mesma prática: defender seus interesses, no vale tudo do jogo eleitoral. No RS, posam com Heloísa ou Luciana. Em Brasília, votam com Lula, contra os trabalhadores.
Do ponto de vista da democracia interna ao partido, não foi outorgado a ninguém o mandato para estabelecer acordos prévios com partidos cuja trajetória está em desacordo com os princípios do PSOL. Na Conferência de 2008, debateremos o que mais convém às necessidades dos trabalhadores, e, por conseqüência, ao PSOL, como partido de classe. Nesse rumo, chamaremos a derrotar, nas prefeituras, os candidatos que traficam seus votos - posando de falsa oposição, tentando pular do bote quando os ratos já tomaram conta, em espetáculos para as câmeras de TV. Mas, reiteradamente, votando e governando em alianças contra o povo.
Nossas candidaturas e as de nossos aliados devem ser o apoio de cada mobilização de resistência às políticas neoliberais e das reivindicações por melhores condições de vida. Portanto, a campanha eleitoral do PSOL não se limita a pedir votos ou a coligar com o critério meramente eleitoral, contando, a preço político muito caro, os minutos a ganhar no programa de TV. Vamos afirmar que as eleições não resolvem, na essência, os problemas sociais sentidos pela maioria do povo. Desmascarando as instituições da democracia dos ricos, das quais a corrupção é componente estrutural.
Nossas alianças eleitorais não podem deixar dúvidas. A definição política deve ser clara, subordinando nossa tática à nossa estratégia - derrotar, por meio das lutas e mobilizações de rua, aos governos neoliberais. É esse um passo fundamental na direção da ruptura socialista. Nossos aliados para as próximas eleições são os partidos da classe trabalhadora, de oposição de esquerda frontal ao governo Lula e a seus aliados nos estados e municípios. Vamos apresentar a Frente de Esquerda, com PSTU, e chamar ao PCB. Convidar a nossos aliados da luta cotidiana, como o MST, dirigentes sindicais e juvenis combativos.
Para fortalecer o partido e os trabalhadores na luta de classes, nossos candidatos devem ser os mais expressivos representantes da resistência contra as políticas neoliberais. Do contrário, seremos um novo partido com uma velha política.
O Bloco Democrático, Classista e de Luta do PSOL gaúcho defende a revogação da resolução de aliança com o PV: A composição formada no Congresso Estadual pelas correntes internas AS, CST, CSOL, núcleo 1º de maio (POA), membros do diretório e de núcleos de base, lançou nota reivindicando o direito de recorrer às instâncias para que a discussão de acordo com o PV não prossiga, pois tal iniciativa fere os princípios fundacionais do partido.
Box:
“Deve ser permitido à militância debater se o Psol pode coligar
com um partido que coligou com o partido da ditadura. É óbvio que tamanha decisão só poderia ser tomada estadualmente após a Conferência Eleitoral Nacional. Nada disso, porém, ocorreu! As bases não foram chamadas a discutir, não foram consultadas nem ouvidas.” Comenta Roberto Ponge, fundador do PSOL, membro do DE RS e integrante do núcleo de base 1º de maio.
“No Diretório Estadual, quando o representante do bloco majoritário introduziu o tema eleições/coligação, surgiram diversas objeções...Foi então discutido, mas pouco, muito pouco. Na hora de votar, foi pedida a abertura de uma ampla e verdadeira discussão nas bases, o adiamento da decisão para outra ocasião e lembrado que a Conferência Eleitoral estava convocada. O porta-voz do bloco majoritário sentenciou que a discussão já fora desenvolvida a contento no Congresso Estadual (quando, cabe relembrar, reduziu-se a três intervenções), ignorou a Conferência Eleitoral e fez votar tudo num pacote único contendo tanto o plebiscito da Vale, como a marcha de 24/10, o aniversário da Revolução Bolchevique e a coligação com o PV, misturando, portanto o consensual e o polêmico! Concorda Neida Oliveira, dirigente da Executiva RS.
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