Virou frase corriqueira em Brasília e na imprensa que Renan Calheiros é “um cadáver”, que não tem mais “autoridade para presidir o Senado”, que está mortinho da Silva. No entanto, faltam coveiros dispostos a sepultá-lo.
O homem com 5 representações no Conselho de Ética, com denúncias e dados em abundância, com notas frias, bois fantasmas, agrados de empreiteiras e rabo preso em inúmeros casos de corrupção continua incomodando pese a ter aceitado se “licenciar” por 45 dias.
É fácil compreender tamanha força e resistência que não vêm das suas “qualidades” pessoais. Renan não foi cassado porque foi homem de Collor e de FHC como agora é homem de Lula. Renan ainda resiste porque o Presidente Lula, o PT e a maioria do Senado o absolveram e porque a chamada oposição da velha direita teme a abertura da “caixa de pandora” que com valeriodutos e compra de votos compromete o conjunto das instituições e as tradicionais forças políticas que estão e estiveram no comando do país.
Nenhum deles quer acabar com a corrupção, o suborno e os acordos mafiosos que beneficiam parlamentares, governo e grandes empresários enquanto votam unidos as leis contra o povo trabalhador e pobre.
Os tucanos, que não querem investigar a conexão entre Marcos Valério e Eduardo Azeredo (pioneiro em matéria de valerioduto) foram anfitriões da reunião que, na casa de José Aníbal (PSDB/SP) recebeu 48 deputados e 18 senadores na semana passada. Nela, foram homenageados dois senadores peemedebistas, um do DEM e outro do PSDB e foi traçada a estratégia de negociar com Renan seu afastamento temporário da presidência do Senado para que o governo pudesse votar a CPMF e para resgatar o Senado cada vez mais desmoralizado perante a população.
Esta hipocrisia mostrou mais uma vez o divórcio entre a cúpula política que habita Brasília e a maioria da população. Em pesquisa recente da Sensus, 45,3% defenderam a idéia de um congresso unicameral, ou seja, sem senado. As cartas e mail que lotaram as caixas de jornalistas e das redações expressaram a justa indignação:
“É uma tramóia em cima da outra. Se os nobres senadores estivessem pensando em nós, rejeitariam a CPMF mesmo com a licença do “nobre companheiro”... Perda de Mandato Já!” concluiu um dos indignados cidadão.
Renan não foi cassado e governo e oposição farão todo o possível para que não o seja. O que se trama é o seu afastamento definitivo da Presidência, o que já abriu a guerra da sucessão entre PMDB e PT. Mas esta guerra não envolve os interesses políticos da nação e do povo, mas a disputa entre eles pela chave do cofre visto os fantásticos poderes que envolvem o dito cargo.
Na próxima semana milhares irão a Brasília na Marcha em defesa dos direitos dos trabalhadores e contra a corrupção. Até lá, é necessário reforçar a mobilização popular pela cassação de Renan, estender as investigações às conexões tucanas através da representação contra o senador do PSDB Eduardo Azeredo assim como tirar qualquer autoridade política e moral do senado e do congresso para votar medidas que prejudicam os trabalhadores como a Reforma da Previdência e a CPMF. No mesmo sentido, continuar lutando para anular todas as reformas contra o povo votadas na base do mensalão e da compra de votos, seja sob FHC ou sob o governo Lula.
O coveiro de Renan está na força do povo mobilizado, sem compromissos com falcatruas, desvios de verbas e tráfico de influências. O PSOL, que teve o mérito de entrar com a representação contra Renan, deve manter sua coerência estendendo o pedido de investigação a todos os envolvidos na corrupção e lutando até o fim pela cassação e punição de todos eles. Nery, nosso senador, não tem rabo preso nem votou contra o
povo que lhe outorga autoridade política e moral para ser o novo presidente do Senado.
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