Amazônia em Chamas


Estamos assistindo na região amazônica os resultados de um grande genocídio ambiental sob a conivência do Governo Lula e governos petistas aliados de madeireiros, do agronegócio e dos interesses capitalistas que estão devastando a floresta numa voracidade nunca antes vista. O resultado é que hoje já podermos perceber rios tributários do Amazonas secando, chuvas em regime irregular, diminuição da diversidade da flora e fauna. Os sinais já são alarmantes!
Embora a região amazônica seja conhecida no Brasil e no mundo pelo grau de agressão a que vem sofrendo nas últimas décadas, sobretudo pelos desmatamentos e incêndios florestais criminosos para abrir grandes clareiras e semear o capim, para constituir pastagens ou preparar o solo para uma agricultura de subsistência, capitalizada ou descapitalizada, hoje existem sinais que já demonstram que a insustentabilidade já começou a cobrar o seu preço.
É verdade que a prática do desmatamento e do uso intensivo do fogo, o desmatamento e a destruição da flora e da fauna ocorrem como atividades ilegais, contínuas e descontroladas, principalmente porque faltam políticas públicas para a Amazônia, que busquem promover um desenvolvimento auto-sustentável e que de fato levem iniciativas concretas e exeqüíveis naquela área. Também porque falta estruturação e melhor definição do papel dos órgãos que deveriam executar essas políticas e assim sendo prevalecem às atividades ilegais, a falta de fiscalização, a omissão e até mesmo a conivência com os crimes ambientais, contra a vida e contra um dos maiores patrimônios naturais do planeta.
     É dessa maneira, com ligeiras variações em cada estado componente da Amazônia, que a cada ano uma faixa de floresta equivalente a metade do Estado de Alagoas é exterminada, principalmente pelo fogo, fazendo com que nas últimas três décadas, o grandioso patrimônio vegetal brasileiro perdesse uma área maior que a da França e colocasse a imensa biodiversidade em risco. Risco esse que ameaça não só a milhões de espécies de pássaros, peixes, mamíferos, insetos, plantas, mas principalmente a própria humanidade de uma hecatombe ecológica sem precedentes. E essa não é mais uma possibilidade remota, é uma realidade que floresta, os animais e os homens já estão vivenciando.
Nas três últimas décadas a população da Amazônia ouviu falar mais fortemente do "progresso" e do "desenvolvimento", sem, contudo ver na prática uma interrupção do ciclo de pobreza e miséria que se espalham pelas margens dos rios, seringais, castanhais, colônias, aldeias, pequenas vilas e cidades.
Nesse período homens e mulheres amazônicos viram nascer e morrer grandes sonhos, grandes projetos, inúmeros governos e muitas promessas. Viram nascer a Fordlândia, Transamazônica, Belém-Brasília e Carajás. Viram se impor governos militares, a Nova República, a República Collorida, a República do Pão de Queijo, dos Sociólogos e dos Operários, que jamais geraram a prosperidade, a paz e o desenvolvimento prometido. Pelo contrário, muitos até tiveram sua situação piorada, pois foram expulsos de suas terras, viram nascer e forma morar em cidades miseráveis e sem infra-estrutura, enfrentaram o trabalho escravo, a fome, a doença, a violência, o abandono social e a omissão de governos pródigos em discursos e pouca ação benévola.
Nesse contexto quase sempre a floresta era considerada um empecilho ao tipo de "progresso proposto", por isso deveria ser desmatada, incendiada e domada. A antiga economia extrativista deveria ser substituída principalmente pela agricultura e pecuária empresarial, a pecuária, a exploração da madeira e outras atividades econômicas rentáveis e incompatíveis com a existência da floresta ganhou "imunidade" à custa de financiamento de políticos corruptos, governos irresponsáveis, repressão contra às populações locais e um modelo de "desenvolvimento" predatório e completamente insustentável.
     Não é por acaso que as investigações feitas pelo Ibama, Polícia Federal e Ministério Público sempre apontam que os maiores agressores da mata, de cada dez oito são pecuaristas, dos outros dois um planta arroz onde antes existia a floresta e o outro é "madereiro", nome chique dado aos que fomentam o deserto em "suas propriedades" e transformam a madeira em matéria prima para portas, móveis, material para a construção civil e outra infinidade de funções. O resultado disso é que ano após ano nosso clima, nossas chuvas, nossos frutos típicos, nosso modo de vida, estão mudando, ficando escassos, desaparecendo, ficando irregulares, com conseqüente e severos impactos.
Está na hora de interromper essa trajetória de destruição, esse genocídio ambiental e humano, é preciso incorporar com urgência a importância do meio ambiente (não só no discurso), o uso comedido dos recursos naturais, à ampla democracia política e social, o acesso a novas tecnologias, a legitimidade dos saberes comunitários, o respeito à população amazônica, a estruturação de uma nova economia na região. Um desenvolvimento que busque como pedra angular um diálogo permanente do governo com a sociedade, no sentido de reverter determinadas práticas caracterizadas pela indefinição e superposição de responsabilidades, bem como promover iniciativas reais, que salvem a Amazônia.
          
Paulo Henrique Costa Mattos, é professor de Sociologia e Antropologia da UNIRG - Presidente PSOL/TO

 

 

 

 

 

 

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