Renan, Mensaleiros, Privatizações...
Escreve Babá (Executiva Nacional do PSOL)

 

O Poderoso Chefão é o grande ausente

Enquanto a resistência de Renan Calheiros a renunciar parece ter chegado ao fim, a denúncia do Promotor Antônio Fernando contra os mensaleiros foi aceita pelos Ministros do STF. Porém, estamos longe dos culpados pela corrupção serem punidos. Além disso o principal responsável, o Presidente Lula, sequer está arrolado no processo.
Como um câncer que se espalha pelo poderes, a corrupção é filha do modelo neoliberal, do sistema capitalista em decadência e de um Estado e um governo que os acoberta apelando cada dia mais a todo tipo de ilícitos para garantir os lucros de uma minoria. Na Câmara, só um pequeno grupo de parlamentares encabeçado pelo PSOL resiste e busca punir os culpados. Na população cresce o repúdio. São necessárias medidas radicais e uma verdadeira reviravolta, que só poderá acontecer com a luta e a participação massiva do povo nas ruas.

Renan, o homem “dos presidentes”
Após se alastrar durante meses, a “crise Renan” parece próxima ao desfecho, talvez renunciando à presidência do Senado para manter seu cargo e sua impunidade como Senador. O Presidente Lula e os amigos fizeram de tudo para salvá-lo. Lembremos o abraço cúmplice da maioria dos seus “pares”, típico de sociedades secretas criminosas.  A partir daí não conseguiu demonstrar a origem do farto dinheiro que engrossou suas contas. Após pesquisas, chegou-se ao seguinte quadro: a lucratividade de seus bois era muito superior a média; os bois que aparecem como vendidos nunca foram comprados, nem nasceram na fazenda; as pessoas a quem ele afirma ter vendido, negam ter comprado os bois; na contabilidade só aparece o que a fazenda arrecada mas não constam despesas com funcionários e o ITR nunca foi pago. Conclusão: Renan criava bois “fantasmas” que vendia a empresas “laranjas”, pelo qual é claro que ele vendia caros seus favores a empreiteiras e outras grandes empresas (talvez a Shincariol?) favorecidas pela terceira pessoa na linha da sucessão presidencial, que desde os cargos públicos, como incondicional de Collor primeiro de FHC depois e de Lula finalmente, se aproveitou para conquistar um robusto patrimônio pessoal.

Dirceu e os 40 mensaleiros
Finalmente o STF acatou a denúncia do Procurador Antonio Fernando contra os mensaleiros, o que não significa que vá processá-los e menos ainda condenar. O próprio relator Joaquim Barbosa esclareceu que estava votando só a abertura do processo e não julgando a ação penal, porque se assim fosse ele não teria dúvida em absolver o ex Ministro Gushiken.
Os mais importantes e caros escritórios de advocacia do país estão trabalhando não para mostrar a “inocência”, mas para impedir que apareçam provas. Como se houvessem poucas, 27 dos 40 acusados aparecem em relatórios do Coaf (Controle de Atividades Financeiras) apontando indícios de operações suspeitas que totalizam R$ 1,23 bilhões.
Até o momento, o STF decidiu abrir processo criminal contra 30 dos acusados. Entre eles, Luiz Gushiken (PT ex Sec.Comunicações de Lula); João Paulo Cunha (PT ex Pres. Câmara) Henrique Pizzolato (PT ex Diretor Banco do Brasil); Marcos Valério que repassou aos políticos R$ 55 milhões “emprestados” pelo Banco Rural; os deputados do PT Paulo Rocha, João Magno e Prof.Luizinho assim como o ex Min.dos Transportes A.Adauto (PL); 4 Diretores do Banco Rural, assim como os dirigentes do PP e do PL. As acusações vão do peculato, à corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, evasão de divisas, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O grande ausente continua sendo o Presidente Lula, o verdadeiro Poderoso Chefão no comando deste esquema corrupto.

Com FHC não foi diferente
Com rabo preso, a “timidez” da falsa oposição demonstrou sua cumplicidade nos dois casos. Talvez como exemplo da mais gigantesca entrega de patrimônio público, a venda da Vale do Rio Doce por parte dos tucanos é uma boa amostra dos ilícitos que corroem o poder. A maior mineradora do mundo foi vendida em 1997 por 3,3 bilhões de reais quando seu lucro líquido anual já está superando os R$ 15 bilhões. A empresa tinha duas ferrovias, nove portos, empresas de alumínio, papel e celulose espalhadas em 140 cidades e 11 países. Seu patrimônio incluía terras, minas, águas e florestas. O espantoso é que entre as empresas que avaliaram esse preço camarada, aparece uma que hoje participa do controle da  Vale, subsidiária do Banco Bradesco, que desde essa época representava a Mitsui, empresa transnacional com base no Japão.  A Vale é hoje a responsável pelos buracos que ficam para as populações por onde passa  enquanto mais da metade desse lucro vai para o exterior pagando dividendos aos acionistas.

Um Estado Mafioso
Se o Estado foi sempre dos empresários, banqueiros e latifundiários – quem controla o poder econômico controla o poder político – nunca foi tão privado como agora. Foi com muita luta que os trabalhadores e os setores populares conseguiram impor algumas conquistas obrigando o Estado a prestar serviços mínimos à população e garantir alguns direitos, como a jornada de 8 horas, as férias, o 13º salário, etc.
Com a crise econômica crônica do capitalismo imperialista, o que ontem foi conquistado hoje deve voltar ao controle da iniciativa privada, desvendando a mentira de um Estado “neutro”, em disputa ou por cima das classes. O dito “Estado de Todos”, mais que nunca continua sendo o estado do poder econômico e da corrupção, com todos eles unidos para atacar ferozmente as conquistas e direitos dos trabalhadores.Uma verdadeira máfia se impõe azeitando com propinas e dinheiro público a relação entre os poderes e os interesses privados, chegando às chantagens e assassinatos quando seus negócios perigam como bem o demonstra o assassinato do Prefeito petista de Santo André.
 
Fora Renan! Punição aos mensaleiros! Fim da impunidade!
Ninguém se ilude que estes Podres Poderes serão capazes de tomar verdadeiras  medidas contra seus próprios interesses. Para acabar com a corrupção devemos acabar com os privilégios do poder. Só uma mudança radical poderá conseguir mudar este quadro, para o qual precisamos de muita luta e do povo mobilizado na rua. É necessário lutar pelo financiamento limitado e público das campanhas eleitorais; que o salário dos governantes, juízes e parlamentares seja definido pela população através de plebiscito e atrelado ao salário mínimo; acabar com o Senado antidemocrático, seu mandato absurdo de 8 anos e a figura fisiológica do suplente; fim da indicação dos juízes, pela sua eleição direta! Pela abertura do sigilo bancário, fiscal e telefônico de todos os cargos públicos eletivos; por prisão e confisco dos bens de corruptos e corruptores! Quando ser governante, juiz  ou parlamentar for um serviço público comparável ao do professor ou da enfermeira, os picaretas profissionais deixarão de aspirar a um mandato.

 

 

 

 

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