Fortalecer a estratégia socialista,
 inserindo o PSOL nas lutas para derrotar o governo Lula, agente de Bush, e suas reformas neoliberais!

 

“O significado do programa é o significado do partido... Mas o que é o Partido? Em que consiste sua coesão? Esta coesão reside numa compreensão comum dos acontecimentos e das tarefas e é esta compreensão comum o programa do partido” (Leon Trotsky)


Introdução:
Entramos em um novo ciclo de reorganização da esquerda socialista e, embrionariamente, de surgimento de uma nova direção sindical e política para a classe trabalhadora e o povo, tendo como marco a traição de classe do governo Lula e do PT.  
O PSOL constituiu-se no principal fato político surgido à esquerda do governo de colaboração de classes do PT. Surgiu junto ao primeiro movimento de massas contra as reformas neoliberais de Lula, com a coragem de um pequeno grupo de parlamentares e de correntes e militantes políticos. Boicotados pela esquerda petista e não petista, pela mídia, sem dinheiro nem estrutura, mas conscientes da necessidade, fomos à luta. Fizemos nosso I Encontro, dotamos-nos de um programa e estatuto, conseguimos nosso registro legal. Uma verdadeira façanha. Participamos das marchas contra as reformas do governo. Apresentamos nossa candidata contra a reeleição de Lula obtendo espetaculares 6,5 milhões de votos, e candidatos em todos os estados. Nesta caminhada, novos setores somaram-se ao PSOL.  Foram muitas coisas em pouco tempo!
É hora de ir fundo no debate entre todos para saber se estamos no caminho correto. Analisar nossos acertos, mas, também, nossos erros, pois verificamos problemas políticos que cruzam o PSOL. Devemos discuti-los com respeito, mas não com a complacência oportunista. Não poderia ser diferente, visto que no PSOL confluímos militantes e correntes com experiências e origens diversas. Defendemos nossas opiniões com a mesma responsabilidade que demonstramos na hora de construir o PSOL, no qual jogamos 100% de nossas forças. Do nosso ponto de vista, os problemas centrais do PSOL não são de funcionamento, ainda que existam e tenham grande importância. O problema central é que a ação e a construção do partido se dificultam porque não existe uma compreensão comum dos acontecimentos centrais, e, por conseguinte, das tarefas e também, de que tipo de funcionamento partidário precisamos. Tanto é assim, que existem propostas, as quais, se aprofundadas, levarão o PSOL a abandonar seu objetivo inicial, e diluir seu caráter de classe, de luta e democrático.
Apresentamos para a militância aspectos programáticos, políticos e de funcionamento em um único texto, visto que os consideramos inseparáveis.
Está se abrindo uma situação política que exige força em nossa intervenção. A rebelião dos controladores de vôo coloca, pela primeira vez, a possibilidade de uma derrota, ainda que parcial, na política governista. Expõe as conseqüências de sua política econômica de subserviência ao capital financeiro, que precariza a vida da maioria trabalhadora. Abre questionamento em uma instituição que, até então, não estava tocada pela crise que abalou as instituições do regime burguês: as FFAA. A amplitude do movimento provocado pelo “apagão aéreo” pode, por seu exemplo, dar ânimo a outros setores como as polícias, os servidores públicos, os estudantes e populares. 
Nossa estratégia socialista começa por localizar corretamente o PSOL na oposição de esquerda e de classe ao governo Lula. Por definir a natureza do governo e um programa e uma política para enfrentá-lo, com propostas unitárias para impulsionar a mobilização.  Diferenciando-se, por sua vez, da velha direita, como um partido de combate, de instâncias e com plena democracia que organize a intervenção concreta junto às lutas do povo.
Nossa base programática está sempre em processo de debate. Mas devemos decidir se ratificamos seu conteúdo essencial, e, a partir daí, avançar. 
Nosso partido deve refletir sobre o significado dos governos “democráticos e populares” do PT e aliados, para não reeditar experiências que resultaram nefastas ao povo trabalhador. Esta possibilidade fica tão mais evidente quando, por parte de alguns companheiros, existem definições do governo Lula como “o mal menor”. Também, por trás de filiações sem critério que terminaram votando até no PMDB no segundo turno da eleição presidencial de 2006, ou entrando nos governos do PT. Precisamos discutir a relação entre a ação institucional e a ação no movimento de massas, para colocar a primeira a serviço e subordinada às necessidades e à luta dos explorados. Denunciando de forma implacável esta democracia de ricos e corruptos, uma vez que também sofremos a pressão de muitos setores que vêm para se filiar no PSOL como se fossemos uma legenda, e só querem ser candidatos, sem dar importância ao projeto político que estamos construindo.
Para defender um PSOL classista não podemos adotar o programa apresentado pelo candidato a Vice do PSOL, César Benjamin, de aliança com “supostos” setores desenvolvimentistas e nacionalistas da burguesia “nacional” e “produtiva”. Devemos avaliar as propostas que apresentamos na campanha eleitoral para Presidente, mais próximas do programa de César que do votado na Conferência Nacional do PSOL. Queremos debater com as propostas que mudam a estratégia do partido, como o chamado a constituir uma “Frente antineoliberal” ou um bloco policlassista até com as Forças Armadas para derrotar o neoliberalismo.
No marco do respeito às divergências é necessário que o Congresso avance em uma política nacional que unifique a maior quantidade possível de forças e militantes, para que se construa como um partido militante e de combate. Que seja porta-voz das bandeiras imediatas e históricas dos explorados, em primeiro lugar da classe trabalhadora, incorporando a luta dos desempregados e explorados do campo e da cidade, dos sem terra, dos negros, mulheres do povo, dos índios; sem discriminação de orientação sexual, credo, raça ou etnia. Um partido de ação que saiba disputar com as direções governistas do movimento para ajudar na mobilização e para vir a ser uma alternativa real de poder para os de baixo.
Um partido democrático e plural, que respeite o direito de tendência, mas, também, àqueles que não pretendem se organizar nelas. Onde os parlamentares sejam os porta-vozes das necessidades dos trabalhadores com base nas deliberações das instâncias partidárias. Um partido que faça da democracia interna, da vida regular das instâncias uma alavanca para fortalecer a elaboração coletiva e tencione o conjunto do partido para intervir com força e coesão na realidade. Finalmente, um partido internacionalista, solidário com as lutas dos trabalhadores e povos do mundo, buscando unificar os socialistas e revolucionários que nos diversos países estão desenvolvendo as mesmas batalhas.

1. Elementos determinantes da realidade internacional: Estamos em uma época de crise estrutural capitalista. Mesmo considerando o crescimento da economia mundial dos últimos anos, trata-se de uma crise sistêmica, que só se resolve do lado imperialista com a derrota global dos trabalhadores e dos povos, voltando à semi-escravidão, ou, com um triunfo da classe operária, dos povos e dos socialistas. Pode ter recuperações conjunturais da economia imperialista, mas não existe uma solução duradoura. Não existe possibilidade de humanizar o capitalismo, sendo o neoliberalismo a face atual do capitalismo imperialista.
Os EUA, motor político e econômico do imperialismo mundial, encontra-se fragilizado, passando por uma importante crise, com repercussões mundiais. A queda das bolsas começou na China, mas indica a fragilidade da economia norte-americana. Abrem-se dúvidas se significa somente uma desaceleração mais profunda da economia estadunidense, ou se levará à recessão, com importantes reflexos que isso terá sobre a economia mundial e, particularmente, sobre o Brasil. Crescimento menor nos EUA arrasta crise para o resto do mundo, em especial para países como o nosso, cuja economia é sustentada na exportação de commodities. Isso não significa uma perspectiva de catástrofe econômica, porque isso dependerá do curso da luta de classes. Mas indica as dificuldades do imperialismo e os limites conjunturais do crescimento econômico mundial.
1.1Entramos em uma nova conjuntura mundial, marcada pelo fracasso da contra-ofensiva imperialista pós-11/09. Estamos frente a um quadro de crise da dominação imperialista, que pode verificar-se a partir: a) da resistência do povo iraquiano que provoca derrotas político-militares da coalizão imperialista, impedindo que os EUA imponham sua política no Oriente Médio e região. b) do ascenso das massas que provocam crises nos planos e nos governos neoliberais na América Latina. c) da derrota dos republicanos nas eleições legislativas e da greve geral dos imigrantes, além dos efeitos sociais e políticos do furacão Katrina.  d) do agravamento da crise social, de aumento dos ataques às conquistas dos trabalhadores e dos povos. Esta situação e a cumplicidade dos velhos aparatos reformistas e estalinistas (PT) provocam um lento processo de reorganização política e sindical. e) do aumento da degradação do meio ambiente, que coloca em perigo o futuro do planeta.
1.2 Estamos vivendo uma época histórica não reformista. O capitalismo imperialista para resolver sua crise deve retirar as conquistas de mais de 150 anos de luta dos trabalhadores e dos povos.
1.3 Neste cenário, a mais grave contradição é o atraso no surgimento e construção de partidos e direções marxistas e socialistas revolucionárias, com peso de massas, que defendam a centralidade do papel da classe trabalhadora liderando o bloco histórico dos explorados do campo e da cidade, na luta pelo socialismo com democracia. Este é o maior desafio da atual época histórica, na medida em que a classe e seus aliados não cessaram de lutar, de provocar rebeliões, revoluções, derrubar governos e regimes.
1.4 Neste contexto, temos que localizar a política subimperialista da burguesia brasileira e do governo Lula, como agente preferencial do imperialismo, expressada frente à nacionalização do gás na Bolívia e à defesa dos interesses da Petrobrás e suas sócias multinacionais. A recente viagem de Bush, a recepção de Lula e as mobilizações no continente, são uma boa síntese da atual situação: Por um lado Lula, ao melhor estilo Carlos Menem de “relações carnais”. Por outro, o aumento da rejeição e da consciência antiimperialista por parte do movimento, que começa a crescer no Brasil. E, finalmente, o caráter defensivo da visita, de um presidente acuado pelas derrotas, que vem visitar a recuperar fôlego, apoiando-se nos presidentes submissos como Lula, Tabaré, ou Calderón.
1.5. Na América Latina, a partir do ascenso das massas surgem novos fenômenos políticos e sindicais, partidos, agrupamentos, organismos de massas e de poder. Nessa onda, surgiram diferentes tipos de governos eleitos com a perspectiva de mudança, muitos dos quais acabaram conciliando com o imperialismo e o grande capital. Também, surgiram governos com atritos importantes com o imperialismo, que tomaram medidas de nacionalização em setores do gás, petróleo ou comunicações.
1.6. Tal situação impõe a necessidade da unidade latino-americana para romper com o imperialismo e a submissão neocolonial, para conquistar a independência nacional e uma nova integração favorável aos interesses dos trabalhadores e dos povos.
1.7 A absoluta subordinação ao imperialismo do mal chamado “capital nacional” coloca com clareza que não há derrota do neoliberalismo e ruptura com o imperialismo a não ser confrontando os governos concretos que aplicam seus planos, e as burguesias locais, sócias menores do grande capital, entrelaçando as tarefas antiimperialistas com as anticapitalistas. 
1.8 Venezuela é onde mais tem avançado o processo revolucionário latino-americano, originado na insurreição do “Caracazo” de 1989. O movimento de massas não parou de lutar, derrubando sucessivos governos e o regime bipartidista até impor o triunfo de Chávez. Apoiadas na produção de petróleo, no ascenso e na política do imperialismo e da oligarquia que tentaram derrubar o presidente por diversos meios, as massas avançaram na sua organização e mobilização e obtiveram diversas conquistas fortalecendo Chávez. À diferença do Brasil, a Venezuela é um país independente politicamente, visto que contesta as ordens políticas imperialistas, o que lhe dá e prestígio no movimento de massas e na América Latina. Enquanto ensaia políticas de integração diferentes da ALCA. Por isso, é uma obrigação dos revolucionários e socialistas o apoio à luta do povo venezuelano e a defesa dos trabalhadores, do governo e da nação frente a qualquer ataque que possa vir do imperialismo.
            1.9 No entanto, é necessário estabelecer o caráter de classe do governo Chávez, suas contradições e limites, para balizar nossa política. Se, por um lado, é imprescindível impulsionar ações de unidade por pontos programáticos comuns de confronto com o imperialismo, os limites da política de Chávez nos impõem saber diferenciarmos-nos. Sob pena de rebaixarmos nossa estratégia de luta por soberania de fato. Não por acaso Chávez apóia e defende Lula, ou o governo escravocrata da China, ao qual chamou de revolucionário. Isso é o mais puro estalinismo. Também, furou a greve dos trabalhadores petroleiros equatorianos vendendo petróleo à oligarquia desse país. E, ao invés de impulsionar o não pagamento da dívida, comprou títulos da dívida Argentina para que Kirchner pudesse pagá-la.
1.10 Não se tratam de “táticas diplomáticas”, mas de políticas que refletem o caráter de classe do governo nacionalista burguês de Chávez, que não tem como estratégia a ruptura definitiva com a dominação imperialista. Por isso mantém empresas de economia mista com as multinacionais do petróleo. Por trás da nova integração latino-americana estão as corporações fazendo fabulosos negócios, como o grupo Techint ou Repsol, para explorações e construções de gasodutos e oleodutos. Este caráter de classe se expressa em um elemento determinante: a política em relação aos novos organismos da classe operária venezuelana. Declarou a sua oposição à autonomia e independência do mais importante organismo de massas da classe que é a UNT, nova central sindical com dois milhões de filiados. Sua proposta de Partido Unificado/Único faz parte do mesmo projeto de controle do movimento de massas, na melhor tradição stalinista.
1.11 Por esta razão nosso projeto não é o de Chávez. Não podemos construir um novo partido no Brasil, de socialismo com democracia, nos diferenciando do PT, do stalinismo e da social-democracia, e, ao mesmo tempo, brindar apoio político a um governo que, em nome do socialismo do século XXI, pretende subordinar ao governo os organismos do movimento de massas. Que apóia governos como o de Lula ou da China, e defende a necessidade de uma “etapa” de desenvolvimento capitalista independente, tentando conciliar o inconciliável: os interesses dos trabalhadores e do povo com os “capitalistas nacionais”. 
1.12 “A libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores”. Nossa principal tarefa é ajudar a desenvolver direções de classe e revolucionárias, e organismos de poder e autodeterminação, como única forma de avançar ao socialismo, seja no século XIX, XX ou XXI.  Nossa estratégia para América Latina não é a das etapas ou a da “economia mista”, tão caras ao sandinismo ou ao estalinismo, que já demonstraram seu fracasso. Lembramos Che Guevara: “Ou revolução socialista ou caricatura de revolução”. Sem avançar em direção a uma ruptura com o capitalismo, baseada na autodeterminação democrática dos trabalhadores, inevitavelmente todas as revoluções retrocedem, como o demonstra a história.
1.13 Baseados na experiência venezuelana, setores defendem a existência de um capitalismo “pós-neoliberal”, e propõem a estratégia chavista para o continente. Achamos esta uma definição errada, pois o que existe na Venezuela fruto dos triunfos das massas, é uma crise do neoliberalismo (econômica e política). As lutas do movimento de massas obtiveram importantes conquistas, mas, com o governo Chávez, ainda que ressaltando as atitudes de independência, não acabou a exploração e a desigualdade capitalista. Este período poderá durar mais ou menos tempo, mas não abrirá um novo período histórico, não resolverá os problemas dos trabalhadores nem haverá estabilidade nas conquistas do povo, visto que a resolução da revolução mundial, latino-americana ou venezuelana está mais uma vez na disjuntiva revolução x contra revolução ou socialismo x barbárie.

2. Brasil
2.1 O governo Lula é hoje o principal inimigo dos trabalhadores e do povo. Poderia parecer desnecessário voltar hoje sobre esta definição, que foi a base da origem do PSOL, mas existem numerosos dirigentes e militantes que não têm a mesma compreensão. Por isto houve os que defenderam o voto em Lula no segundo turno, ou votaram em candidatos do PT aos governos, como no Pará. Ou defenderam o voto em Aldo Rebelo “como mal menor” na Câmara.
Levantamos quatro aspectos:
2.1.a Ainda que a eleição de Lula, em parte, tenha sido expressão da rejeição ao neoliberalismo, seu governo aprofundou a política neoliberal. Aumentou a subordinação ao imperialismo, ao capital financeiro e às multinacionais, aumentando o curso privatista, em diferente escala, já que as jóias da coroa tinham sido entregues com FHC.
2.1.b Lula continuou e agravou a crise social – o desemprego, os baixos salários, a violência, a falta de terra e moradia, de serviços públicos – crise que tentou “conter” através da bolsa família com o objetivo de ampliar seu curral eleitoral, aumentando a dependência dos setores mais empobrecidos das ações do governo.
2.1.c Em relação aos movimentos sociais, com a cooptação dos dirigentes de sindicatos e entidades (cuja base material são os cargos governamentais e os altos salários) aumentaram a criminalização dos movimentos, com os interditos proibitórios, os “caveirões”, a penalização dos grevistas e lideranças do MST, as tentativas de impedir o direito de greve dos servidores, etc..
2.1.d Na política externa reforçou seu caráter de agente do imperialismo e de defesa do país subimperialista, defendendo os interesses das multinacionais que, como faz hoje a Petrobrás, exploram nossos irmãos latino-americanos, seja na Bolívia, no Equador ou na Argentina. Atua como “bombeiro” em defesa dos interesses do imperialismo, tentando amaciar os conflitos como na Bolívia ou na Venezuela, e enviando tropas para o Haiti.
2.2 Por essas razões, o governo Lula é hoje o principal inimigo dos trabalhadores e do povo, é quem aplica a política do imperialismo e do grande capital.  É mais perigoso e mais eficiente, porque baseado no prestígio do dirigente que um dia foi, engana melhor. Não é possível consolidar o PSOL como uma alternativa de poder da esquerda conseqüente, sem ter unidade política em torno da natureza do governo Lula e sua traição de classe, e atuar de acordo com essa caracterização. 

3- A “Unidade Nacional” em torno de Lula-Bush
3.1 Em que pese a  unidade dos setores mais importantes da burguesia em torno da política econômica, a “calmaria” provocada pelo crescimento da economia mundial nos últimos anos, pode estar chegando a seu fim. Caso confirmada uma desaceleração da economia norte-americana, ou a entrada em recessão, os reflexos no Brasil não demorarão. Afetariam as exportações, o preço das commodities, o câmbio e o já raquítico crescimento, golpeando aos setores mais indefesos da população.
3.2 Temos que avançar sobre quais serão os eixos deste segundo mandato.  No central, o quadriênio será de continuidade, tanto na economia quanto na política. Manterá o arrocho salarial sobre os servidores e aposentados e contra os trabalhadores no geral. No centro da sua política, o PAC privatizante, a utilização dos fundos dos trabalhadores para os investimentos público-privados, o reajuste pífio do salário mínimo, maior entrega para o capital estrangeiro. Sem margens para concessões aos trabalhadores e setores populares, continuará a crise estrutural em torno do endividamento, os altos juros e a remuneração ao sistema financeiro.
3.3 Para impor estas medidas, estão preparando uma regulamentação contra o direito de greve. Junto com a PEC para combater o terrorismo, busca aumentar a repressão aos movimentos sociais, às greves e ocupações de terra. 
3.4 A política imperialista em direção a “combustíveis limpos” tenta ser mostrada como a via para o deslanche do Brasil na perspectiva de virar uma potência energética. Este excelente negócio para usineiros, não significará uma mudança nas características da economia brasileira. Pelo contrário, acentuará seu caráter de exportador de commodities, sem que os EUA abram seus mercados e abandonem a sobre taxação do álcool brasileiro. Aprofundará as conseqüências nefastas para o meio ambiente e para os trabalhadores do campo, pelas características da lavoura da cana e o caráter predatório do agro-negócio. Aumentará o processo em curso de desnacionalização do país, com capitais multinacionais comprando mais usinas de cana.
3.5 No terreno político e do regime, a continuidade significa um aumento da impunidade, do fisiologismo e da corrupção, com as instituições do regime cada vez mais afastadas dos interesses da maioria da população. Começou com a tentativa de dobrar o salário dos parlamentares e continua com o projeto de blindar os ocupantes de cargos públicos de alto escalão estendendo o foro privilegiado em ações de improbidade administrativa. Dos 100 parlamentares que respondem ações penais, grande parte compõe a base governista. Mais refém do PMDB, peça chave na negociação da presidência da Câmara, entregou-lhe cinco ministérios, entre eles o da Integração Nacional que foi parar nas mãos de Geddel Vieira Lima. 
3.6 Com a integração do PDT, PSB, PP, PV, PTB e PR completa-se o quadro do governo de coalizão, no qual o PT ocupa um lugar de menor destaque que no primeiro mandato, e com indícios de que o “propinoduto” continua funcionando e engordando partidos como o PR (ex -PL).
3.7 A corrupção e a impunidade apresentam-se vinculadas à aplicação dos planos imperialistas, de saque aos cofres públicos, ataque às conquistas dos trabalhadores e ajustes sobre as classes médias baixas, comprometendo o conjunto do regime, que funciona com engrenagens “azeitadas” pelas propinas, chegando à eliminação física para manter os esquemas como no caso do ex-prefeito petista de Santo André.
3.8 Não por acaso vivemos um aumento da violência e do poder do crime organizado. A impunidade no andar de cima alimenta o vale tudo. Demonstra também a cumplicidade do poder político que não combate os “peixes graúdos” do crime: os bancos que lavam o dinheiro do tráfico de armas, de drogas, etc.; um estado que sucateia as polícias deixando-as à mercê da corrupção; que mantêm um sistema carcerário que cria mais delinqüentes. E, sobretudo, porque a pavorosa crise social que provoca a aplicação destas políticas econômicas deixa milhares de jovens na marginalidade e no desemprego, verdadeira mão de obra barata para a criminalidade.

3.9 Com a crise do PSDB e do PFL, e o resto dos partidos no governo, não existe oposição, porque nem os que pretendem fazê-la conseguem se diferenciar, já que são parte dos mesmos esquemas e defendem a mesma política econômica. Esta definição não implica que a administração deste novo “condomínio” dar-se-á sem crises e chantagens. Isto exige uma resposta e oferece ao PSOL uma possibilidade de localização ímpar, se souber ser uma oposição de esquerda e de classe intransigente, se diferenciando de toda a podridão que aí está. Este quadro reafirma que foi equivocado não ter apresentado alternativa própria para a presidência da Câmara dos Deputados. Tentamos conformar um “pólo democrático” no meio desse ninho de cobras, e terminamos confundidos com a velha direita em nome de “moralizar” a Câmara, tarefa tão inútil quanto fazer uma transfusão a um morto.  Perdemos uma oportunidade para afirmar o perfil político do PSOL, o que é ainda mais necessário ao não contar com a presença de Heloísa no Senado.
3.10 Existe uma interrogante sobre o fator potencial de instabilidade do regime relacionado a quem Lula apoiará em 2010. Pela primeira vez em 20 anos, não haverá a disputa Lula x anti-Lula. Quem herdará os votos de Lula? Isto levou o PT a disputar a presidência da Câmara, buscando cacifar-se para 2008 e 2010.
3.11 O PT prepara-se ensaiando discursos mais “à esquerda”: Contra Meirelles, contra os altos juros, em defesa dos plebiscitos. Por sua vez aparece um sub-bloco PCdoB – PSB – PDT que também fala de lançar alternativa própria de “esquerda” em 2010. Até o PFL abandona o nome de “liberal” porque sabe que a onda é antineoliberal e o faz perder votos. O PSDB pretende reciclar-se. Todos se preparam para disputar o espólio lulista, com discurso “desenvolvimentista” e “nacionalista”.
3.12 Apesar da aparente fortaleza do governo, não vemos um segundo mandato mais estável.  O PT e o governo perderam sua base social histórica, apesar do número de votos recebidos. Existe um maior descrédito das instituições, do parlamento, do judiciário e em menor medida do Executivo. O segundo mandato será mais frágil, porque o determinante é a perda de base social nos setores mais politizados e avançados da sociedade e das classes trabalhadoras.
3.13 Se a insistência com a cláusula de barreira e a reclamação dos grandes partidos para tirar a verba partidária das agremiações menores indicam que a burguesia busca barrar a existência de partidos de esquerda como o PSOL, este não é um caminho de mão única. Também, existem setores que têm política para tentar domesticar o PSOL, como o sociólogo governista Emir Sader, que vem fazendo campanha para debilitar uma política de esquerda conseqüente no PSOL tentando fazer do nosso partido linha auxiliar do governo.

4 A ruptura de setores de massas com o governo continua
4.1 Os ventos de mudanças que percorrem América Latina começam a chegar ao Brasil. Pese a não existir ainda um nível de lutas como no resto do continente, achamos que está se abrindo uma nova situação na luta de classes que pode evoluir favoravelmente.
4.2 O peso de Lula, e o controle por parte da direção da CUT e da UNE dificultaram as respostas da classe. No entanto, não vemos uma derrota do movimento de massas. Que a classe poderá levantar-se com maior impacto, o evidencia os elementos presentes no poderoso movimento dos controladores de vôo; a forte greve dos servidores em Alagoas; as numerosas greves de rodoviários que pipocaram em diversos estados; o começo de movimentos contra o aumento das tarifas de ônibus, as paralisações da Polícia Federal, as mobilizações estudantis contra o fim do passe livre no RJ e em outras cidades, a ocupação da Reitoria da UNICAMP que acabou em triunfo dos estudantes, etc.
 4.3 Existe uma situação de transição: com elementos embrionários de começar a superar a velha direção, que se manifestam em descrédito dos dirigentes petistas e cutistas, desfiliação  e afastamento do PT e da CUT; surgimento de oposições; derrota das chapas governistas em diversos sindicatos; a criação da Conlutas, e, com menor peso, da Intersindical. Da formação da Frente de Luta contra a Reforma Universitária.  Politicamente no surgimento do PSOL e nos 6,5 milhões de votos de Heloísa.
4.4 Vemos três elementos que indicam as mudanças que estão em gestação: Os atos e marchas contra Bush, ainda que de vanguarda, são um fato novo na realidade nacional, e expressam um aumenta do repúdio ao imperialismo. O Encontro Nacional Unificado, organizado em primeiro lugar pela Conlutas, Intersindical, numerosas entidades, partidos como o PSTU, PSOL, etc. que reuniu mais de 5 mil lutadores,  que deliberou um Plano de Lutas, um Manifesto e a conformação de um Fórum Unitário de Lutas. E, finalmente, a última greve de fome e auto-aquartelamento dos controladores, seu manifesto e o recuo que impuseram ao governo, ainda que existe uma queda de braço donde o governo pretende trair seus compromissos.
4.5 Em 2007 não haverá concessões e o governo tem que aumentar o ajuste e passar as reformas. Haverá novos confrontos, nos quais o PSOL tem que intervir com força.
4.6 Tal situação exige ter uma política ofensiva e de clara delimitação com o governo e seus agentes. As direções governistas estão passando por agudas contradições e crises, visto que não se pode repudiar Bush enquanto se apóia o governo Lula. O PSOL deve colocar-se na vanguarda para impulsionar o Fórum Unitário e o Calendário de Lutas votado, começando pela defesa dos controladores e de seu direito de greve; pela preparação do abril vermelho; no apoio aos servidores públicos federais e sua campanha salarial. No apoio às chapas de oposição contra os setores governistas  procurar a unidade das oposições de esquerda seja no movimento estudantil ou sindical para derrotar a burocracia, evitando divisões como a acontecida na USP.
4.7 Respeitando as diversas posições, é uma necessidade do PSOL definir como prioridade de intervenção no movimento sua integração na Conlutas. Reconhecemos os problemas de ultimatismo que imprimiu o PSTU. Mas vemos uma mudança de atitude, mais aberta ao diálogo e à democracia interna. Por ser a Conlutas a força que enfrenta o governo e as burocracias e também a mais dinâmica na reorganização da classe trabalhadora, achamos que o PSOL tem que se localizar nesta trincheira para continuar sua batalha pela unidade dos explorados na luta contra o governo Lula. 

5. Bloco estratégico: um debate aberto. Estão em debate propostas de constituir uma frente antineoliberal ou um bloco político e social estratégico, que poderia incluir setores das burguesias regionais e as Forças Armadas,  objetivo estratégico de acabar com o neoliberalismo.
5.1 Essas propostas (Teses da Conferência do MES, contribuição do MES/MTL na plenária RJ)colocam como um dos centros para o PSOL e o movimento de massas tarefas democráticas, mas essencialmente as de tipo eleitoral e institucional.
5.2 Nos países dependentes do imperialismo, como o nosso, a Reforma Agrária e a Independência Nacional são as tarefas democráticas e nacionais fundamentais ainda não resolvidas. Historicamente, coube à burguesia levá-las adiante. Mas na atual época histórica, a realização plena destas tarefas leva a  enfrentar ao capitalismo em sua fase imperialista, à burguesia, a seu estado e a seus governos, combinando assim, tarefas democráticas, transicionais e anticapitalistas.
5.3 O Neoliberalismo não é uma “etapa” que pode ser superada dentro do sistema. Se, de acordo com Lênin, imperialismo significa o domínio do capital financeiro, o neoliberalismo é a expressão concreta do capitalismo imperialista na sua crise e decadência dos dias atuais.
5.4 Quais são os setores sociais que podem ser protagonistas para concluir com êxito estas tarefas? Com certeza, cabe aos trabalhadores encabeçar o processo, aliados aos camponeses pobres, os pequenos produtores, do campo e da cidade, aos desempregados, aposentados, jovens e classe média empobrecida. Não acreditamos em colaboração entre as classes para lutar ate o fim pelas tarefas democráticas fundamentais. Não vemos parceiros entre o PMDB, PDT ou PSB, Requião, Lupi ou Capiberibe, para conquistar a Reforma Agrária e a Independência Nacional.
5.5 Alguns companheiros acham que as Forças Armadas estão em contradição com o neoliberalismo, e, são, portanto, parceiras na luta pela derrocada do mesmo. Mas não tem base nos fatos da vida real. Qual foi seu nível de resistência no caso SIVAM? E na privatização de Volta Redonda, Embraer ou Vale do Rio Doce?? E nos leilões das bacias petrolíferas? E no loteamento da Amazônia? E na greve dos controladores de vôo? Longe de cerrar fileiras contra a falta de recursos drenados pelo superávit primário, reprimiram e mandaram prender os trabalhadores do setor.
5.6 Enquanto trabalhadores, os policiais, civis ou militares e a base das forças armadas devem ser defendidos pelo PSOL, mas devemos registrar a contradição, principalmente da cúpula, em virtude da função de defesa da ordem burguesa. Nossa política é a de desenvolver nos momentos agudos da luta de classes, sua consciência e divisão, para ganhar sua base trabalhadora e plebéia para o lado do povo, apoiando suas greves e reivindicações. 
5.7 Isto não nega ações unitárias e pontuais com classes opostas ao projeto socialista. Foi correta a atividade unitária contra a cláusula de barreira, ou outras que estejam colocadas, o que não só é correto como necessário. Entretanto, não tem nada a ver com unidade política, ou frente programática contra o neoliberalismo. A amplitude que precisa o partido é com os trabalhadores e setores populares que não tem representação política, e não com setores burgueses marginais e em decadência, que ora vão com o governo ora posam de oposição para defender seus interesses fisiológicos.

            6. Programa e Política: A ruptura necessária.  Reafirmamos a validade do programa da Conferência de Fundação. Contudo, devemos aprofundar, por exemplo, sobre nossa estratégia e política para a revolução e a unidade latino-americana; sobre os sujeitos sociais de uma mudança revolucionária antiimperialista e anticapitalista e a definição das Forças Armadas e seu papel nos processos revolucionários.
6.1 Um marco metodológico necessário é estabelecer a relação entre o programa do partido e suas propostas políticas concretas. Nossas propostas devem estar dentro do marco do programa. Se nosso programa defende a independência de classe, não propomos acordos político-estratégico com setores burgueses, por menores que sejam ou pelo seu “discurso” de esquerda. Não propomos governos comuns dos trabalhadores com a burguesia.  Se nosso programa define a centralidade da ação direta das massas para alcançar mudanças, não pode ter como eixo de atuação a intervenção eleitoral.
6.2 A superação do PT passa pela superação do seu programa democrático- popular, o qual embasou a política de conciliação de classes. Ainda que contivesse, alguns pontos positivos, como a ruptura com o FMI e a dívida, sua lógica de “ruptura democrática” no marco da institucionalidade e das alianças com os partidos da burguesia levaram inevitavelmente à sua capitulação, esterilizando qualquer aspecto parcial progressivo no marco da estratégia de conciliação de classes.
6.3 Reafirmando  nossa estratégia definimos que nosso objetivo é a mobilização independente dos trabalhadores e do povo para derrotar o governo Lula e sua política. Lutamos por outro governo, dos trabalhadores e do povo, e por outro plano econômico, voltado às massas exploradas, de ruptura com o imperialismo e anticapitalista. Lutamos pela unidade dos povos da América Latina para conquistar nossa definitiva independência, na perspectiva estratégica da unidade de repúblicas dos trabalhadores, e de uma federação de nações socialistas.
6.4. Estratégia socialista não é defender propostas de expropriação ou de tomada do poder a toda hora. Significa partir das necessidades mais sentidas pelo movimento para ajudar na sua organização e mobilização pela conquista das reivindicações, na perspectiva de derrotar o governo burguês, em nosso caso, o de Lula e sua política neoliberal. 
6.5 Um Plano Econômico Alternativo de emergência: Esta política deve concretizar-se em propostas frente aos problemas mais urgentes dos explorados. Assumimos, como ponto de partida, as propostas e o Plano de Ação votados no Encontro Unitário de SP. Ordenamos nosso programa na defesa de um aumento emergencial de salários e  de um plano de obras públicas para garantir empregos.  De uma reforma agrária que ponha fim ao latifúndio. Na defesa da aposentadoria, da redução da jornada de trabalho sem reduzir  salários. Da  anulação da Reforma da Previdência. Por saúde e educação públicas de qualidade, por uma política de segurança pública que ataque os problemas estruturais que originam a violência e o combate ao crime organizado começando pela máfia que controla o poder. Defendemos o direito de greve de todos os trabalhadores, o fim dos interditos proibitórios. E da retirada de garantias previstas na legislação trabalhista. Da Reforma Universitária dos barões do ensino. Das restrições à atividade dos fiscais do trabalho. Lutamos contra as burocracias nas entidades atreladas ao governo,  e por  novas direções que preservem a autonomia e garantam a democracia interna para lutar.
6.6 O caráter antiimperialista: Para satisfazer essas demandas precisamos romper com a dominação imperialista, suspendendo o pagamento dos juros da dívida, interna e externa e rompendo com o FMI; realizando a auditoria e verificando a dívida interna a ser paga a pequenos poupadores. Significa impedir novas privatizações; a anulação da Lei de Concessões Florestais e a renacionalização da Vale do Rio Doce, as empresas de energia e de telefonia. Recuperar o controle de nosso subsolo, dos portos e estradas. Lutar por uma Petrobrás 100% estatal. Retirar imediatamente as tropas do Haiti. Acabar com a farra do sistema financeiro controlando a entrada e saída de capitais, baixando os juros. Uma política de defesa do meio ambiente, contra o latifúndio e o capitalismo predador que destrói e polui. 
6.7 A verdadeira integração dos povos latino-americanos: O Mercosul é um instrumento das multinacionais para seus negócios na região. A ALBA de Chávez  tem apelo porque se contrapõe à ALCA. Devemos partir dela, mas precisar seus objetivos. Integração dos povos para enfrentar ao imperialismo não é  Lula e Chávez inaugurando uma ponte construída pela Odebrecht com fundos do BNDES. Nem é a discussão com Kirchner para que a multinacional Techint construa um gasoduto. Não tem integração nem independência sem enfrentar e romper com o imperialismo e as multinacionais. Unidade para suspender o pagamento das dívidas, uma das principais sangrias da América Latina. Integração para complementar as economias regionais a serviço dos povos e não das multinacionais. Integração para nacionalizar o petróleo e os recursos naturais, sem armadilhas como na Bolívia, onde o gás acabou novamente nas mãos das multinacionais. Integração para o livre trânsito dos trabalhadores e não dos capitais. Integração contra qualquer agressão imperialista; para expulsar as bases militares em Manta, na Tríplice Fronteira e na Colômbia. Unidade e integração para LUTAR por efetivas medidas de ruptura.
6.8 Contra a falsa democracia do poder econômico e da corrupção: O fim da ditadura não significou o fim das violações aos direitos humanos. Continua a criminalização dos movimentos sociais. O “caveirão” no RJ é um ataque às populações pobres. O aumento da miséria e do sucateamento originado na política econômica gerou maior violência e uma crise da segurança pública, com policiais mal remunerados que se associam ao crime. Sob as balas da PM, jovens caem assassinados todos os dias. A tortura é habitual nas delegacias e presídios. Pelo fim do caveirão, da discriminação racista e elitista na luta contra a violência urbana. Pela descriminalização das lutas do povo, pelo pleno direito de greve! Punição aos responsáveis das violações aos Direitos Humanos! Pelo aumento de salários às polícias.  Estas são bandeiras democráticas fundamentais.
6.9 A reforma política que discutem os partidos do regime é uma farsa. Defendemos medidas radicais e crescentes que possibilitem a elevação do nível de consciência sobre os limites de classe do parlamento burguês, desmascarando sua essência. Pela punição dos corruptos e dos corruptores.  Pela revogação dos mandatos dos que traem seus compromissos! Pelo financiamento público das campanhas eleitorais. Pelo fim da cláusula de barreira e do foro privilegiado. Pela abertura do sigilo bancário, fiscal e telefônico dos ocupantes de cargos públicos eletivos.  O salário dos parlamentares e governantes deve ser definido através de plebiscito e vinculado com o salário mínimo!
6.10 O PSOL não se propõe  governar com as instituições e as normas até aqui em vigor, criadas para defender os interesses das classes dominantes. O projeto de Poder do PSOL significa uma  reviravolta tanto nas classes que devem exercer o poder – os trabalhadores e os setores populares – quanto nas instituições necessárias. Uma verdadeira democracia significa que o povo decida. O PSOL defenderá a convocatória de uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana que discuta a reorganização política, econômica e jurídica do país. Pese às conquistas que a luta do povo incorporou na Constituição de 1988, ela não deixou de defender o estado burguês e a propriedade privada. Desde então, as sucessivas emendas lhe outorgaram um conteúdo cada vez mais reacionário. Ficar nos marcos da atual constituição é ficar refém do capital financeiro e das multinacionais. É aceitar as reformas reacionárias e a entrega do país; é ter que aceitar a Reforma da Previdência; reprimir os movimentos sociais como manda a lei; não mexer no latifúndio, nos mantendo dentro da ordem capitalista, dependente, semicolonial e antidemocrática.

7.  A localização da disputa eleitoral. Localizada corretamente no marco de nosso programa e estratégia, a participação nas disputas eleitorais tem grande importância. Fazer uma crítica implacável ao eleitoralismo que impregnou uma geração da esquerda não significa cair no “cretinismo antiparlamentar”, que abandona as massas às ilusões burguesas. As disputas eleitorais são uma oportunidade para apresentar nossas propostas, e, no caso de eleger, ser porta-vozes das necessidades dos trabalhadores e do povo, colaborando na sua mobilização e organização. Nossos cargos devem estar subordinados a nossa estratégia mais geral. 
 7.1 Para precisar nossa política para as  eleições de 2008, devemos tirar conclusões de nossa participação nas eleições de 2006. Ver se temos que reafirmar nosso programa e política de alianças ou se temos que fazer mudanças.
            7.2 Nossa candidatura cumpriu o objetivo de lançar uma Alternativa Unitária da Esquerda e de apresentar um contraponto à falsa polarização Lula x Alckmin. Os quase sete milhões de votos de Heloísa foram determinantes para obrigar à realização de um segundo turno, ficando como a terceira força nacional. Com recursos franciscanos, o PSOL, fez uma valorosa campanha em todos os estados, elegendo 3 deputados federais e 3 estaduais. O arco de alianças no marco da independência de classes foi uma definição correta.
7.3 No entanto, o PSOL não apareceu com o mesmo perfil no país inteiro. Em alguns estados, a crítica e diferenciação com o governo Lula foram insuficientes. Em diversos estados, houve “dobradinhas não oficiais”, por fora da aliança votada, com partidos da ordem, com objetivos puramente eleitorais, confundindo a identificação política. No segundo turno, o voto em Lula e nos governadores petistas, levado a público por alguns dirigentes, enfraqueceu politicamente o PSOL.
7.4 Foi equivocado colocar César Benjamin como candidato a Vice-presidente, não pela sua desrespeitosa ruptura, mas pela sinalização política que representou. Ele expressou uma virada em direção a setores desenvolvimentistas (ele foi quem elaborou o programa para Garotinho). Tal programa tentou “empurrar goela abaixo” do PSOL, e terminou influenciando nosso programa presidencial. 
7.5 Os eixos programáticos definidos na conferencia não foram integralmente  defendidos na campanha eleitoral. Mesmo com a clara denúncia do sistema financeiro e da corrupção, e da diferenciação com Lula e a  velha direita, a defesa de nossa política nos limites da Constituição e a diferenciação entre programa de governo e programa do partido foram equivocados. Temas sobre os quais escrevemos em agosto de 2006 um texto para a Executiva Nacional do PSOL.
7.6 Em 2008, teremos eleições municipais, e aparentemente, parece uma disputa afastada dos grandes problemas nacionais. O Congresso Nacional, como máxima instância, tem que se pronunciar sobre  nossa referência programática e nosso arco de alianças.
7.7 Propomos reafirmar que nossas alianças serão com os movimentos sociais e políticos de classe. O PSOL não poderá se coligar com partidos que não sejam de esquerda, partidos da classe trabalhadora e do povo. Os “mal considerados progressistas” estão todos na base governista, mostrando seu verdadeiro caráter. Nosso dever é desmascará-los, e não salvá-los da inevitável decadência.
7.8 Os programas municipais têm especificidades que os estados e municípios devem definir, apresentando um sistema de medidas que atenda de fato às reivindicações do povo trabalhador e pobre. Nosso marco geral é o de colocar as prefeituras no combate à política e ao projeto nacional neoliberal do governo Lula e seus aliados, mostrando os limites absolutos das administrações municipais para desenvolver uma política conseqüente em favor dos trabalhadores e do povo.  Colocamos também a campanha de 2008 a serviço de nossa política nacional por outro projeto de poder em consonância com nossa estratégia e programa.

7.9 Ainda que existiram diferenças entre os diversos governos do PT, houve um denominador comum. Não acumularam organização e nível de mobilização no movimento de massas, não deixaram um saldo organizativo e político de avanço na consciência de amplos setores. Sua política atrelou os setores sociais na co-gestão da crise daquelas esferas do estado burguês. A cooptação dos movimentos nos fóruns e conselhos de gestão tirou a autonomia dos movimentos populares. Em muitos casos, foram melhores impulsionadores dos negócios das empreiteiras e empresas altamente exploradoras de parcelas pobres da população: Foi assim na política do transporte coletivo, inclusive em Porto Alegre, a cidade símbolo do modo petista de governar, ou  da ligação estreita com as empresas da máfia do lixo, em SP, entre outras.  Os orçamentos participativos, que encantou pelo mundo, não à toa eram elogiados pelos organismos financeiros internacionais. Eficientes na alocação dos recursos das políticas compensatórias, ao mesmo tempo retiravam  protagonismo da luta direta e independente contra o estado. Do outro lado, avançou-se no ajuste fiscal que engordou ao capital financeiro. Apesar de algumas ações positivas, parciais e localizadas, predominou a lógica do governo democrático e popular, a do “governar para todos”, sem fugir do projeto nacional de conciliação de classes da maioria da direção do PT, o que levou tais governos até a reprimir greves, e aplicar a lei da ordem para despejar sem-teto e reprimir mobilizações.

8.  O funcionamento do partido, seu regime e orientação.
8.1 Nosso partido é novo, fez-se com poucos recursos em um país imenso. Temos dificuldades para um bom funcionamento, para o que contribui a existência  das diversas concepções e tradições dos que confluímos na construção do PSOL.
8.2 Temos companheiros que avaliam que a realização do Congresso, em abril de 2006, teria resolvido grande parte dos problemas. O ideal teria sido realizar nosso Congresso. Mas, não concordamos com a visão de que sua não efetivação é a causa dos principais problemas.  Acreditamos que as questões fundamentais são de ordem política, as quais trazem conseqüências no plano da concepção do partido.
  8.3 Refletindo sobre a experiência de Trotsky, quem defendia a disciplina partidária como indispensável, ele mesmo insistia que, essa, só poderia provir de uma compreensão comum. Nós defendemos o regime do centralismo democrático, compreendido como a mais ampla discussão interna junto à maior unidade na ação, não como o difundiu o estalinismo. No entanto, ou o PSOL avança na  sua unidade política  - o que não significa pensamento único, mas marco estratégico comum - ou continuará a ser uma frente de tendências, grupos e indivíduos. Nesse segundo caso, funcionará combinando instâncias e acordos, situação que não poderá durar eternamente, mas que não vai se resolver rápido.
8.4 O Congresso não foi adiado por “vontade burocrática” da direção. A partir da saída do PT e do ingresso no PSOL de dirigentes e militantes em setembro/outubro de 2005, a direção paralisou-se durante meses, fruto das diferentes visões que existiam, fundamentalmente, sobre o governo Lula e o PT. Derivou em que não se alcançou um critério comum sobre o censo partidário para o Congresso, correndo o risco de um questionamento de delegações às vésperas do confronto eleitoral com o Governo Lula. Por isso, da nossa parte, concordamos com o adiamento e a convocatória da Conferência Nacional com delegados eleitos pelos núcleos, decisão tomada em uma reunião da Coordenação Nacional.
8.5 Previmos no estatuto a existência de correntes, a pluralidade socialista e o direito ao dissenso, e um funcionamento por consenso durante um período de transição. Isso funcionou durante uma primeira etapa. No entanto, houve problemas que levaram ao não cumprimento de resoluções de instâncias, nem de acordos, situação que devemos discutir. Isso aconteceu com a Conferência Eleitoral e com a política para o segundo turno, e o Congresso tem que se pronunciar.
8.6 Temos que ratificar que somos um partido de militantes. Que tem direitos e cumpre deveres. Por isso, a exigência aos militantes de reunir ao menos uma vez por mês no núcleo, contribuir financeiramente com o partido e estar filiado nele, assim como aplicar a política votada nas instâncias.
 8.7 O mesmo vale para nossos parlamentares, que devem ser exemplares no cumprimento das resoluções partidárias. Desde seu programa, das políticas votadas nas instâncias, até seu estatuto. Isso envolve as votações das quais participam no parlamento, as orientações políticas que difundem através de suas declarações públicas e ao cumprimento da contribuição financeira ao partido. O lugar primeiro de um parlamentar psolista é na luta ao lado do povo e da juventude. Nossa intervenção institucional é para fazer avançar as mobilizações e a organização da classe. 
8.7 A ampliação do partido é imprescindível. Devemos ser pacientes com aqueles  lutadores que não têm experiência política socialista, mas  inflexíveis com os oportunistas e “candidatos” profissionais. Não são poucos os que se aproximam oferecendo-se como candidatos, prometendo estrutura, sem identidade política. Por exemplo, conhecendo o histórico do Senhor Fachini, candidato ao governo de SC, nunca poderia ter sido candidato pelo PSOL. Ou um setor do PT que se filiou no PSOL/PA, mas após o triunfo de Ana Júlia, voltou ao PT e entrou no governo. Tais atitudes enfraquecem o partido. Devemos ser muito criteriosos e cuidadosos nas filiações e na conformação dos diretórios municipais.
8.9 O Congresso deve ratificar o funcionamento dos núcleos, impedindo “inchaço” nas vésperas dos eventos. Os Diretórios Regionais devem acompanhar regularmente os núcleos de base. Suas reuniões e contribuições financeiras, garantindo a todos os militantes e núcleos as informações, socializando as discussões políticas e garantindo a sua autonomia para intervir nas suas frentes respectivas.
8.10 Também o Congresso deve ser rigoroso na exigência de um funcionamento regular das suas instâncias de direção, que devem ser votadas pelos militantes. Isto é uma exigência política: O PSOL precisa de agilidade para responder aos fatos políticos. Pronunciar-se frente a casos como a greve dos controladores de vôo, ou greves ou ocupações dos sem terra ou sem teto, ou crises políticas, para dinamizar a intervenção do partido.
8.11 A democracia interna não é uma exigência “moral”. Ela é uma exigência para fortalecer a elaboração coletiva e impulsionar a intervenção militante na luta de classes.
8.12 Finalmente o PSOL tem que se habituar a ocupar as ruas, com iniciativas políticas, panfletagens, agitação, acompanhar as assembléias, marchas, passeatas, greves, etc. Estas iniciativas também têm que ser tomadas nos estados, para fortalecer o partido como uma ferramenta de combate.

Companheiros!
Estamos num momento muito especial. Abre-se o debate sobre as políticas que balizarão nosso jovem partido no próximo período. Da participação democrática e decidida da militância, depende o êxito de nosso I Congresso. Com nosso aporte, esperamos contribuir para uma melhor elaboração coletiva. Desde já, os que assinamos este documento, comprometidos com o objetivo de construir um PSOL de luta, democrático e socialista, fazem um chamado aos militantes para somarem-se na defesa destas propostas.

 

Babá - Executiva Nacional PSOL
Silvia Santos - Executiva Nacional PSOL
Neide Solimões (Direção Nacional do PSOL e da Executiva Nacional da CONDSEF)
Douglas Diniz (Presidente do PSOL Pará)
Cedicio Vasconcelos (Vice Pres.do DR PSOL/PA e Diretor Jurídico do SINTSEP-PA)
Michel Oliveira (Tesoureiro do DR/PA )
Marcio Amaral (Presidente do Sind. dos Rodoviários de Ananindeua e Marituba/PA)
João Santiago (e Coordenador Geral do SINTUFPA/PA e DR/PA)
Pedro Rosa (Coord. Geral SINTUFF/RJ)
Miguel Malheiros (Vice-presidente PSOL/RJ)
Wellington Cabral (Dir Sind. Químicos de SJC e Região e Vice pres. PSOL/SP)
Ciro Moraes (Direção Nacional PSOL Dir. Sind Metroviários/SP)
Alex Fernandes  (Diret Sind. Metroviários/SP)
Dorinaldo Malafaia (Presidente Diretório Estadual/ AP)
Dinassi Siqueira (Presidente Sindicato de Vigilantes (Sindiviap/AP)
Ligia Regina (Coord. Imprensa SINTUFF/RJ)
Bárbara Sinedino (DCE/UFF/RJ)
Denise Albuquerque (Executiva Estadual PSOL/MA)
Fernanda Bandeira (Coordenadora DCE / UFPA)
Marco Cruz (DCE UFES/ES)
Gabriela Góes (Coordenadora DCE/UNIFAP/AP)
Rosi Messias (Direção Nacional PSOL)
Claudia Gonzáles ( Executiva PSOL/RJ)
Manuel Iraola (Executiva PSOL/SP)
Nancy de Oliveira Galvão (Direção PSOL/SP)
Silvia Letícia (Presidente PSOL Belém/PA)
Mariza Santos (Direção Nacional PSOL)

Anna Miragem - PSOL/RS

Julieta Lui - PSOL/SP

 

 

 

 

 

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