Desde a década de 30 Trotsky alertou sobre a inevitável restauração capitalista e a entrega do país ao imperialismo pelos burocratas, se se mantivessem um tempo prolongado no poder. Chamava a colocar abaixo essa casta encabeçada por Stálin e a retomar o caminho revolucionário, como a única saída para salvar a URSS. Sobre essa perspectiva impulsionou a fundação da Quarta Internacional. No Programa de Transição disse: “A União Soviética saiu da revolução de outubro como um Estado Operário. A propriedade do Estado dos meios de produção, condição necessária do desenvolvimento socialista, abriu a possibilidade de um crescimento rápido das forças produtivas. O aparato do Estado Operário, isolado, sofreu, entretanto, uma completa degeneração, transformando-se de instrumento da classe operária, em instrumento de violência burocrática contra a classe operária e, de forma crescente, em instrumento de sabotagem da economia. A burocratização de um Estado Operário, atrasado e isolado e a transformação da burocracia em casta privilegiada onipotente, é a refutação mais convincente – não apenas teórica, mas prática – da teoria do socialismo em um só país”. “Assim, o regime da URSS encerra contradições ameaçadoras. Mas continua sendo um regime de Estado Operário degenerado. Tal é o diagnóstico social”. “O prognóstico político tem um caráter alternativo: ou a burocracia se transforma cada vez mais em um órgão da burguesia mundial dentro do Estado Operário, derruba as novas formas de propriedade e retorna o país ao capitalismo, ou a classe operária aplasta a burocracia e abre caminho até o socialismo”.
Por Mecedes Petit
|